Mundial Sub-20: o batismo de fogo de Portugal no palco onde nascem as lendas

A Seleção Nacional de sub-20 prepara-se para escrever mais uma página inédita na história do futebol nacional. A partir deste sábado e até 27 de setembro, a Polónia acolhe a 12.ª edição do Campeonato do Mundo Feminino Sub-20 da FIFA, prova que marca a estreia absoluta das navegadoras neste escalão.

Sub-20
Fotos: FPF

O sorteio ditou um desafio exigente logo na fase de grupos. Inserida no Grupo E, a equipa das quinas terá pela frente a tricampeã e detentora do título Coreia do Norte (2006, 2016 e 2024), a sempre competitiva Colômbia e a imprevisível Costa Rica.

A competição será repartida por quatro cidades polacas: Bielsko-Biala, Katowice, Lódź e Sosnowiec. Foi precisamente em solo polaco que esta geração garantiu o apuramento inédito no último Europeu de sub-19.

Eis os jogos de Portugal no Grupo E:
7 de setembro (15h00): Coreia do Norte x PORTUGAL (Stadion Miejski, Lodz)
10 de setembro (18h00): Colômbia x PORTUGAL (Stadion Miejsk, Lodz)
13 de setembro (18h00): PORTUGAL x Costa Rica (Arena Sosnowiec)
A final do torneio joga-se no domingo, 27 de setembro, também no Stadion Miejsk, em Lodz.

Quadro Geral dos Grupos
A edição de 2026 regista um alargamento de novos protagonistas: a par de Portugal, estreiam-se Benim, Equador, Nova Caledónia, Tanzânia e a anfitriã Polónia.

Grupo A: Polónia, México, Argentina e Benim
Grupo B: Brasil, Inglaterra, Canadá e Tanzânia
Grupo C: França, Coreia do Sul, Gana e Equador
Grupo D: Japão, Estados Unidos, Nova Zelândia e Itália
Grupo E: Coreia do Norte, Colômbia, Costa Rica e PORTUGAL
Grupo F: Espanha, Nigéria, China e Nova Caledónia

Marisa Gomes: “Crescer e chegar o mais longe possível”
Confrontada com o desfecho do sorteio, Marisa Gomes não esconde a exigência da tarefa, mas afasta qualquer cenário de resignação. A selecionadora nacional reconhece que se trata de “um grupo difícil” por cruzar o caminho de seleções “muito poderosas”, a começar pela Coreia do Norte, que aponta como detentora de um “percurso incrível” e presença assídua nos momentos de decisão. Em relação às restantes adversárias, a técnica destaca o crescimento consistente da Colômbia, “uma equipa que sofre poucos golos e é extremamente perigosa nas transições”, enquanto sobre a Costa Rica salienta sobretudo a sua “criatividade ofensiva”.

Marisa Gomes alerta ainda para o choque de estilos de jogo que Portugal terá de ultrapassar. A treinadora defende que o lote de opositores apresenta matrizes competitivas distintas do contexto habitual da UEFA, frisando que defrontar equipas “menos organizadas do ponto de vista tático europeu” aumenta a complexidade dos jogos, mas assegura que esse confronto é “fundamental para o desenvolvimento das jogadoras”. Sem baixar a fasquia, garante que o grupo vai trabalhar com a meta de “chegar o mais longe possível”, reeditando o espírito demonstrado no último Europeu.

A selecionadora mostra-se confiante com o regresso à Polónia, sublinhando que o conhecimento prévio das condições e da cultura local dá a Portugal uma vantagem na adaptação face a seleções que chegam de outros continentes.

Onde as rainhas começam: a lição de Marta
A estreia de Portugal no Mundial Sub-20 ganha maior dimensão quando olhamos para a história da prova. Este é, por excelência, o laboratório onde despontam as maiores referências do futebol mundial.

Nenhum exemplo é mais expressivo do que o de Marta Vieira da Silva. Antes de ser coroada seis vezes a melhor do mundo e de se tornar a maior goleadora da história dos Mundiais seniores (17 golos), a camisola 10 do Brasil começou a construir a sua lenda nesta montra de formação.

Em 2002, na primeira edição do torneio (então Sub-19), no Canadá, Marta tinha apenas 16 anos quando assombrou o mundo, marcou 6 golos em 6 jogos e levou a Bola de Prata. Dois anos depois, em 2004, na Tailândia, regressou para conquistar a Bola de Ouro do torneio. O resto é história, títulos, prémios, longevidade e um impacto incontornável na afirmação global do futebol feminino.

Para a geração portuguesa que agora pisa os relvados de Lodz e Sosnowiec, a competição é mais do que um torneio internacional de elite. Trata-se de palco global onde as carreiras se afirmam e o futuro da modalidade começa a ser desenhado.