Começou a jogar à bola com os irmãos mais velhos. O bichinho nasceu aí. Demorou a saber que havia clubes ao pé de casa com equipas femininas. Esta época, voltou ao Cucujães. Está a gostar da equipa, do grupo. Nos treinos, defende mais rigor e menos brincadeira.
Ana tem 22 anos, trabalha numa fábrica de metais pesados, não tem sonhos no mundo do futebol porque sabe que não vai fazer disso a sua vida. Por causa do trabalho, falta a alguns treinos. É o que é. E está satisfeita com o crescimento do futebol feminino, com mais meninas a jogar.
O Cucujães é o teu primeiro clube?
Não. É a segunda vez que estou a experimentar este clube. No ano passado, vim, mas não gostei. Anteriormente, estava no Clube de Albergaria, estive parada uns três anos, e agora estou a regressar.
Como começaste a jogar futebol?
Eu sempre gostei de futebol e tenho dois irmãos mais velhos, partiu daí o bichinho. Mas comecei a jogar futebol já muito tarde, comecei com 15 anos. Só fazia atletismo, sempre estive ligada ao desporto.
Atletismo?
Sim, sim, era mesma federada. Era fixe, era tranquilo, ia ao pódio muitas vezes.
Como está a ser a experiência no Cucujães?
Para já, está a ser boa. Estou a gostar, gosto da equipa, gosto das meninas que estão comigo.
E como é que foi a adaptação ao clube?
Fácil. Quer dizer, foi fácil, mas há diferenças de onde eu estava. Gosto de estar aqui. Para os treinos que venho, não posso vir sempre devido ao trabalho, está ótimo. Não há aquele compromisso que tinha de ter antes, por exemplo.
O que é preciso para a equipa ganhar?
Rigor. Ter rigor nos treinos, não brincar, é só isso.

Para os treinos que venho, não posso vir sempre devido ao trabalho, está ótimo
Ana Marques
Como te defines como jogadora?
Raçuda. É o que der.
Vais sempre à bola?
Sempre, não tenho medo.
Quando perdes, ficas muito zangada?
Fico, fico muito chateada. Mas agora já me habituei a perder. Sim, fico chateada, mas passa, tem de passar, é o que é.
Qual é o teu maior sonho no futebol?
Não tenho, não tenho mesmo, porque sei que não vou fazer isto para a vida. Não vai ser o meu trabalho do futuro.
A médio ou curto prazo, tens alguma meta pessoal ou coletiva?
Quero que toda a gente se dê bem e que isto acabe bem, que ninguém se magoe.
Quero que toda a gente se dê bem e que isto acabe bem, que ninguém se magoe
Como olhas para a evolução do futebol feminino nos últimos anos? É mais valorizado?
Sim, está a ser cada vez mais valorizado. Cada vez tem mais pessoas, cada vez há mais raparigas a querer jogar, o que antes não acontecia. Eu também só entrei mais tarde porque também não havia conhecimento de clubes perto de onde eu vivo. Agora está a ser mais visível.
A tua família apoia-te?
Apoia, apoia.
És muito disciplinada?
No desporto, sou muito disciplinada.
Ficas nervosa antes de entrar em campo?
Depois de entrar no relvado, passa.
Ana, o que é, para ti, um bom jogo?
Que a equipa esteja bem no final, ninguém contra ninguém, que ninguém se magoe. Ganhar era bom, mas ainda estamos um bocadinho longe disso.



