Carol está no Valadares Gaia desde sempre, desde os seis anos de idade, o clube que lhe tem permitido crescer e afirmar-se no mundo do futebol. No primeiro ano, jogou como avançada, foi à baliza num treino, numa brincadeira, e nunca mais de lá saiu. Está na equipa principal há 3 épocas. “É um privilégio para mim porque o Valadares está na 1.ª divisão e está ao mais alto nível no futebol feminino”, afirma.
Concilia o curso de Direito com o futebol e a exigência de defender a baliza de uma equipa da 1.ª liga. Neste momento, espera ter mais jogos dentro de campo. Ser chamada às seleções é também um objetivo. A família é a sua rede, acompanha-a desde sempre e para todo o lado. Carol sublinha a importância desse apoio. “Só quem tem uma base assim é que pode perceber a base emocional que são.”
Começaste a jogar no Valadares com que idade?
Com seis anos, já estou cá há 13.
E nunca saíste.
Não, nunca.
É um clube que te tem permitido crescer no futebol?
Bastante. É um clube onde fiz a minha formação e agora tenho a oportunidade de estar na equipa sénior. E é um privilégio para mim porque o Valadares está na 1.ª divisão e está ao mais alto nível no futebol feminino. E, portanto, sim, para mim é um grande privilégio estar no Valadares.
Sempre jogaste como guarda-redes ou experimentaste outras posições?
Comecei a avançada no meu 1.º ano, mas depois, num treino, numa brincadeira, decidi ir à baliza e fiquei. Estive um ano a avançada, os restantes anos, a guarda-redes.
E porquê guarda-redes? É uma posição, às vezes, um bocadinho ingrata…
Ser guarda-redes é uma posição muito específica e, sim, muito ingrata. Mas acho que é uma posição especial, não há mais ninguém como a guarda-redes. Portanto, sinto-me especial.
No fundo, é isso, é uma posição que é ingrata, mas quando corre bem, é uma posição que nos dá muito. E tem um trabalho mais específico. Acho que foi isso que me fez ficar como guarda-redes.

Como és dentro de campo? Uma guarda-redes calma e serena ou agitada quando é preciso?
Sou tranquila. Procuro ser exigente com as minhas colegas, porque também o sou comigo, e gosto que estejamos sempre ligadas ao jogo. É isso que tento transparecer para elas.
Procuro ser exigente com as minhas colegas, porque também o sou comigo, e gosto que estejamos sempre ligadas ao jogo
Carol
Tens defendido penáltis. Há alguma estratégia?
É verdade, tem corrido bem. Não há uma estratégia.
Cada jogo é um jogo?
Sim, claro.
Estudas as adversárias para saber para que lado mais rematam?
Nós fazemos análises, como guarda-redes, e são sempre dados que nos ajudam a analisar a jogadora. Utilizo sempre esses dados.
Quais as expectativas do Valadares para esta época?
O nosso objetivo é fazer sempre melhor do que na época passada. Estamos a fazer um bom campeonato. Ainda há muito campeonato pela frente, mas acho que, de uma maneira geral, estamos bastante focadas e trabalhamos bastante para fazer os jogos que temos feito. O Valadares tem sido uma equipa consistente ao longo dos anos e estamos a fazer um bom trabalho.
Estás a estudar Direito. Pensas fazer alguma coisa com os estudos académicos ou é um dia de cada vez?
É um dia de cada vez. Estou a estudar Direito e estou a tentar conciliar com o futebol. Pretendo seguir a área do Direito, ainda estou a tentar ver como é que posso conciliar com o futebol. Sim, é um dia de cada vez, vamos ver.
O Valadares tem sido uma equipa consistente ao longo dos anos e estamos a fazer um bom trabalho
Qual o teu maior sonho no futebol?
Tenho alguns. Agora, a curto prazo, é tentar ter mais jogos na 1.ª divisão. Tentar chegar às seleções também é um objetivo. Para já, afirmar-me na 1.ª divisão e depois, quem sabe, ser chamada às seleções.

Como olhas para o crescimento do futebol feminino?
Comecei no escalão sub-13. Hoje quem começa a jogar já tem possibilidade de começar no escalão sub-9, que é o escalão mais baixo que o Valadares tem. E isso é muito bom porque, em termos de crescimento, as meninas hoje podem começar ainda mais cedo e ter uma formação mais completa, o que lhes permite, quando chegarem à equipa sénior, chegarem com outra experiência e com outra qualidade também. Acho que o futebol feminino tem ainda mais por onde crescer.
O apoio da tua família tem sido importante para ti?
É mesmo importante para mim. É um suporte, são o meu suporte. Acho que só quem tem uma base assim é que pode perceber a base emocional que são. Só com eles é que consigo dar o meu melhor e estar aqui no meu melhor.
Carol, o que é, para ti, um bom jogo?
Para mim, como equipa, é a vitória, sem dúvida. Para mim, como guarda-redes, é um jogo sem golos.



