Jogou em várias equipas, passou por diversos clubes, regressou ao Braga depois de ter estado nas Sub-19 e na equipa B do clube do Minho. Estrear-se pela equipa principal, com um novo estádio e excelentes infraestruturas, teve um sabor especial. Cris tem 26 anos e tem estado em excelente forma. O seu sonho é chegar à seleção nacional.
Começou a jogar com rapazes, passou para uma equipa feminina, tinha 13 anos e disputava a bola com raparigas mais velhas. Uma das grandes mudanças, afirma, é mesmo essa: hoje as meninas podem começar a sua formação com outras meninas da sua idade. Sublinha que a parte física é importante e que a parte mental é essencial. Se pudesse alterar alguma coisa no futebol feminino, mudaria a maneira com que as pessoas olham para esse mundo, para um modo de ver mais equilibrado e íntegro.
Depois de experiências em vários clubes, como está a ser este regresso ao Braga?
Está a ser muito bom. Vim numa boa altura porque quando cá estive não tínhamos ainda estas infraestruturas que temos atualmente. Poder acompanhar este crescimento e estar a usufruir dele é muito bom. Tenho muito orgulho disso e tem corrido bastante bem até aqui, individualmente.
E tens estado em excelente forma.
Sim, pode dizer-se que sim. Tem corrido bem, sinto-me bem, sinto-me em casa.
Encontraste um Braga com uma equipa diferente desde a última vez que cá estiveste?
Na verdade, nunca me tinha estreado pela equipa A. Fiz a minha formação nas Sub-19, na equipa B, e ia fazendo alguns treinos com a equipa A, também era mais nova, mas nunca me tinha estreado pela equipa A. Portanto, é ainda mais especial porque as instalações foram inauguradas, eu acompanhei esse processo. E estrear-me pela equipa A, com estas infraestruturas, é mesmo um sonho.

A questão da boa forma certamente não é por acaso. Trabalhas intensamente para dares o teu melhor, como é que chegas a esse nível, a esse patamar?
É preciso muito trabalho, é preciso acreditar nos processos, tanto a nível físico, que foi a parte onde considero que evolui mais porque temos um acompanhamento muito bom. Depois a nível nutricional, também tenho mais atenção a esse aspeto. É acreditar no processo, é acreditar no trabalho que é feito, fazer aquilo que nos é pedido da melhor forma possível.
A parte mental também é importante e fundamental?
A parte mental é a base porque há muitas coisas a mudar ao longo do tempo. Numa época, há fases melhores, há fases piores e, por isso, a parte mental acaba por ser a base, acaba por ser o mecanismo que nos faz manter o nível.
O que mais gostas no jogo jogado?
Pensar o jogo. No fundo, aquilo que eu mais gosto é ler e pensar rápido. Considero-me uma jogadora criativa, pensar num espaço que ninguém está a ver.
É acreditar no processo, é acreditar no trabalho que é feito, fazer aquilo que nos é pedido da melhor forma possível.
Cris, Sporting de Braga
Jogas no meio-campo, é a posição que preferes, é a tua posição natural?
É a minha posição natural mesmo que, em alguns momentos, eu comece mais por fora, vou sempre voltar ao sítio onde estou mais confortável, que é por dentro.
Um sítio onde também distribuis jogo.
Sim.
Como vês a evolução do futebol feminino em Portugal?
Jogo futebol há muitos anos. Comecei aos 8, portanto, muitas coisas mudaram até aqui. Comecei com rapazes, só comecei a jogar com raparigas por volta dos 13 anos. O que mais mudou é que hoje as raparigas podem começar a fazer a formação com as raparigas e não terem de esperar por tomar banho, primeiro vamos nós, depois vão os rapazes, acho que isso foi o que mudou mais.
Se uma rapariga hoje quiser jogar futebol e começar aos 7 ou aos 8 anos, é possível que comece a fazer a formação com outras meninas da idade dela. Na minha altura, a primeira vez que eu joguei futebol feminino, estava a competir com raparigas de 18 e 19 anos, eu tinha 13. Tanto é que no meu primeiro ano, quando fui para o futebol feminino, queriam que eu fizesse dupla subida de escalão para poder jogar no patamar acima, na Sub-19. Só que não foi possível e tive de ficar mais um ano nas Sub-15 para depois conseguir fazer a dupla subida.

Se pudesses mudar alguma coisa no mundo do futebol feminino, o que mudarias?
Eu não posso mudar a forma como as pessoas pensam, mas, se calhar, se eu pudesse, se tivesse a oportunidade de escolher, escolheria que as pessoas olhassem para o futebol feminino de uma outra forma, de uma forma mais equilibrada.
O que é que isso significa, equilibrada? Com mais respeito?
Não sei bem se é respeito, não tenho certeza se é respeito, mas que olhassem de uma forma mais íntegra.
Numa época, há fases melhores, há fases piores e, por isso, a parte mental acaba por ser a base, acaba por ser o mecanismo que nos faz manter o nível.
Qual é o teu maior sonho no futebol?
Neste momento, é chegar à seleção nacional.
Já estiveste nas seleções jovens.
Nunca me estreei, mas já estive em estágios.
Só jogas ou fazes outras coisas?
Neste momento, só jogo, mas sou licenciada em Serviço Social. Eu acredito que o futebol se pode perfeitamente cruzar com o trabalho social.
Nessa área, no serviço social, o que gostavas de fazer?
Gostava muito de trabalhar com a população em situação de sem-abrigo.
Nunca tiveste essa experiência?
Já tive experiências, já fiz voluntariado, já estive a estagiar como assistente social numa instituição no Porto. Mas acredito que é essa a área em que eu gostava de trabalhar.




