Cris, Cucujães: “Um bom jogo é mostrar o que valemos, como jogadoras e como mulheres”

Cristiana Costa, Cris ou Costa, é lateral direito da equipa do Cucujães, na 4.ª Divisão Nacional. Começou a jogar na escola, com os rapazitos, e a paixão despontou. A família sempre foi e continua a ser um grande apoio. Cris tem 30 anos e trabalha numa fábrica de solas de sapatos.

Cris Costa, Cucujães
Fotos: Maria João Gala/Magriça

Quando se corre por gosto, esse gosto pelo futebol que surgiu em pequena, quando ainda andava na escola primária, há vontade, há entusiasmo, há dedicação e empenho. Cristiana Costa estica as horas do seu dia entre a produção de solas de sapatos, treinos ao fim do dia durante a semana, jogos aos sábados ou aos domingos.   

Jogou no Cesarense e agora está na equipa do Cucujães, na 4.ª Divisão. Está a ser uma boa experiência, confessa, e a equipa é como uma família, construída aos poucos e com muito trabalho por parte do clube e do treinador. Em campo, garante que é focada e que não desiste perante as adversidades. Luta e dá o seu melhor com a bola nos pés, na ala direita. Nas derrotas, fica desiludida, o grupo fica em baixo, mas não se verga. Cabeça levantada e mais trabalho para melhorar. Nem sempre é fácil conciliar tudo, o trabalho, os treinos, os jogos. Mas há paixões que valem todo o esforço. 

Na época passada, já jogavas aqui no Cucujães?
Sim, há dois anos. No ano passado, estive parada e voltei este ano.

Como começas a jogar futebol? Como nasceu o gosto?
Desde pequenina, na escola, comecei a gostar de jogar à bola. Estava ali no meio dos rapazitos e comecei a gostar cada vez mais.

Tinhas que idade?
Nove, 10 anos, por volta dessa idade. 

E quando se tornou uma coisa a sério, Cris?
Mais tarde, por volta dos 15, 16 anos.

Começaste por entrar num clube? 
Não, não era bem clube. Num clube foi há quatro anos.

Como é que está a ser esta experiência no Cucujães? 
A ser boa, está a ser muito boa. Somos uma grande família, neste momento.

Qual é o teu maior sonho no futebol?
É chegar lá cima, mas tem de ser pouco a pouco. Lutar por isso.

Qual é o meu maior sonho no futebol? É chegar lá cima, mas tem de ser pouco a pouco. Lutar por isso.

Cris Costa

És muito focada no futebol? Como te descreves como jogadora?
Sou um bocadinho focada, não sou de desistir. Tento lutar sempre por algo melhor e dar o melhor à equipa.

É esse o teu ângulo?
Sim. 

Cris Costa, Cucujães

Só jogas ou também trabalhas? 
Trabalho numa fábrica. Sou operadora fabril numa fábrica de solas de sapatos. Depois disso, venho para aqui, para o Cucujães. 

É preciso ter vontade…
É verdade. Quando se gosta é assim.

A tua família sempre te apoiou no futebol?
Sim, sempre me apoiou, apoia-me e vem ver os jogos.

Sempre ao teu lado.
Sim, sim.

Sou um bocadinho focada, não sou de desistir. Tento lutar sempre por algo melhor e dar o melhor à equipa.

E com o treinador, está a correr bem? Está a unir a equipa?
Sim, está a ser impecável. Tem sido muito exemplar a nível de organização, arranjar jogadoras, formar uma bela equipa, uma bela família, neste caso.

E como reagem quando perdem? 
Ficamos tristes, um bocado em baixo. 

E tu? 
Fico desiludida.

Com vontade de desistir? 
Não desistimos. Na próxima semana, lutamos outra vez para conseguir ganhar. 

Qual é a capacidade em que tens mais dificuldades e que sentes que precisas de desenvolver mais no futebol?
Não sei, sinceramente não sei. Dificuldades todas nós temos. Mas é trabalhar para conseguirmos algo melhor. 

Acompanhas a seleção de futebol feminino, vês muitos jogos?
Sim, sempre que possível, sim. 

Cris, o que é, para ti, um bom jogo?
Um bom jogo é mostrar o que valemos, como jogadoras e como mulheres, e dar sempre o nosso melhor. E, no fim, tentar dar a vitória aos nossos adeptos.