Na época passada, Daniel Gomes comandou a equipa do Real até à subida da 3.ª para a 2.ª Divisão. A estreia no 2.º patamar do campeonato está a correr bem. À segunda jornada, lidera a tabela classificativa na Série Sul, no jogo desta semana, venceu ao Benfica B. A ambição é subir à Liga BPI com trabalho e dedicação, com os pés assentes no campo. O seu interesse pelo futebol feminino surgiu no outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos da América.
Treinou e jogou futebol no Grupo Dramático e Sportivo de Cascais e teve oportunidade de ir para uma academia dos Estados Unidos, em Seattle, no Estado de Washington. Enquanto treinava rapazes, olhava para meninas e raparigas que jogavam à bola nos campos ali perto e viu o jeito e a qualidade. “Fiquei encantado com o futebol feminino lá, vi meninas de 5, 6 anos a fazer coisas maravilhosas com a bola”, lembra. Quando regressou a Portugal, entrou no futebol feminino.

O projeto da equipa feminina do Real SC é recente, tem 3 anos, duas épocas na 3.ª Divisão e a subida à 2.ª na última temporada. Duas épocas consecutivas de promoção, um campeonato nacional, uma fase de promoção invicta e 40 vitórias em 50 jogos nas últimas duas temporadas. A estreia na 2.ª Divisão está a correr bem, dois jogos, duas vitórias, quatro golos marcados, um sofrido. “Tivemos um bom verão, escolhemos bem as jogadoras, é uma equipa praticamente nova, há uma grande base”, refere. Seis semanas de preparação no verão para entrar em campo para um novo desafio num patamar acima.
“Tivemos de crescer rápido, aprender com os erros, tomar boas decisões. Temos um grupo muito bom de jogadoras que aderiu às nossas ideias.” Interessa-lhe a capacidade física, as bases táticas, o perfil fora do campo. “Temos um grupo de jogadoras jovens com muita vontade de evoluir”, garante. Tudo isso faz a diferença. E o objetivo está traçado: a ambição é subir à Liga BPI, ao principal patamar do futebol feminino.
Não somos melhores do que ninguém, enquanto não provarmos o contrário”
Daniel Gomes, treinador principal da equipa do Real SC
Duas jornadas feitas com vitórias, no próximo fim de semana, jogo para a Taça de Portugal com o CAC – Clube Atlético e Cultural da Pontinha. A equipa treina de segunda a quinta-feira às 16h e o treinador é transparente nas mensagens que transmite. “Não somos melhores do que ninguém, enquanto não provarmos o contrário.” Apesar dos resultados e do percurso, não entra em grandes euforias. “Não está tudo mal, quando perdemos. E não está tudo bem, quando ganhamos.” Sempre frontal, bastante crítico e muito exigente.
Em dia de jogo, é preciso lidar com a pressão, resumir e avivar o plano de jogo treinado durante a semana, manter a motivação lá em cima. Daniel está sempre atento ao que se passa dentro de campo. “Não consigo perder a minha essência, vivo muito o jogo, estou sempre ligado ao jogo”, comfessa. Lida mal com a derrota, mas tenta reagir rapidamente para voltar aos níveis de exigência sem perder muito tempo.

Quando agora olha para o futebol feminino em Portugal, não vê crescimento. “Neste momento, não considero que haja um crescimento contínuo, há uma estagnação”, comenta. Daniel olha para a formação. “Existe qualidade em Portugal, mas não existe quantidade. Temos de ter um futebol de formação de qualidade.” Há outros problemas, a falta de infraestruturas, condições desiguais para o masculino e para o feminino. “Enquanto o feminino continuar a ficar com os últimos horários da noite para treinar, é difícil.” Além disso, há equipas a desaparecer, o Damaiense, o Vilaverdense, e não se vê mais investimento. “Mas a luta é para que o futebol feminino cresça”, diz.
A equipa do Real é um projeto que está a crescer com pessoas dedicadas e ambiciosas e que foram aprendendo com os erros. Daniel tem 29 anos, é licenciado em Ciências do Desporto, tem o mestrado em Educação Física, e resume em três palavras o trabalho que tem sido feito: humildade, aprendizagem e evolução. A seu lado, na equipa técnica, estão Guilherme Nóbrega como treinador-adjunto, Sérgio Ferreira como treinador de guarda-redes, Mateus Xavier como preparador físico, Inês Simões como fisioterapeuta e Soraia Alves como gestora da equipa.



