O arranque da época não podia ter sido melhor para o Guia FC e para Daniella Way. Na primeira jornada, a avançada assinou três golos e ajudou a garantir os três pontos para a formação de Albufeira no confronto com o Estoril (0-7).
“Foi uma vitória muito importante por ser o primeiro jogo da temporada, estabelece logo a nossa motivação para a época e mostra o que somos capazes de fazer dentro de campo. E marcar três golos é tudo o que uma avançada quer num jogo”.
A viver a segunda época no Algarve, Daniella nota uma evolução clara no grupo de trabalho, prevendo “uma época positiva, com nova equipa técnica e novas jogadoras. O cenário do Guia parece muito bom”.

A reinvenção: da linha defensiva para a frente de ataque
Nem sempre a área adversária foi o s habitat natural de Daniella Way. O percurso formativo em Inglaterra começou no Gillingham, passou seis anos no Arsenal e culminou a sua presença nas com petições inglesas no West Ham. Ao longo desse trajeto, a sua posição recuou até à defesa.
“Vim do Arsenal, onde cheguei como média, e depois transformaram-me em lateral-direita. Quando fui para o West Ham, fiz essa transição como lateral. Agora, no Guia, sou ponta de lança. Mas essa experiência ajuda-me muito no Guia, tanto a defender como a atacar, permitindo-me ser versátil em campo”, sublinha.
Essa bagagem como defesa dá-lhe hoje ferramentas para desmontar as linhas defensivas contrárias. “Consigo antecipar o que as defesas vão fazer, porque era exatamente isso que eu faria. Aproveito isso para atacar a jogada e chegar à bola mais rápido”. Confrontada com a escolha entre desarmar uma adversária ou festejar um golo, não hesita. “Celebrar golos, sem dúvida”.



Definindo-se em campo como uma jogadora “direta, rápida e imprevisível”, Daniella aponta as bases do seu crescimento no futebol inglês. “No West Ham, a primeira lição foi a paciência. Estava rodeada de jogadoras mais velhas e experientes, e temos de esperar pelo nosso momento. A outra foi a comunicação. Leva-nos muito longe no futebol, tanto dentro, como fora de campo”, explica.
A ligação ao futebol começou cedo, aos quatro anos, a ver o irmão jogar no Charlton Athletic e que Daniella aponta como a sua primeira grande referência, a par de Cristiano Ronaldo.
O futebol já lhe estava no sangue, o seu avô materno jogou no Sporting. Daniella cresceu ligada ao desporto e a sua qualidade abriu-lhe as portas das seleções jovens de Portugal. Entre os sub-14 e os sub-19, somou três convocatórias e duas internacionalizações pela equipa das Quinas.

Do ritmo inglês à técnica portuguesa
A mudança para Portugal deu-se com a mudança dos pais para o Algarve. Daniella encontro no sul do país uma oportunidade de adaptação competitiva. “Mudar de país é bom para ganhar experiência. Sou jovem, por isso ganhar essa bagagem agora ajuda-me a dar o salto mais tarde, com a ambição de chegar à Liga BPI”.
Mudar de país é bom para ganhar experiência. Sou jovem, por isso ganhar essa bagagem agora ajuda-me a dar o salto mais tarde, com a ambição de chegar à Liga BPI.
Daniella Way
No entanto, a avançada considera que a adaptação ao futebol português obrigou a ajustes no estilo de jogo. “Em Portugal as jogadoras são muito técnicas e muito rápidas com a bola no pé. O ritmo de circulação é muito veloz e foi difícil adaptar-me no início, mas foi muito positivo. O futebol inglês baseia-se mais no ritmo elevado e na força física. Ter o melhor desses dois mundos ajuda bastante”, admite
No balneário do Guia, a diversidade do plantel conta com atletas de várias nacionalidades, contexto que tem ajudado Daniella a ambientar-se ao clube mais facilmente. “Temos várias colegas internacionais, algumas dos Estados Unidos. As portuguesas ajudam muito na tradução e muitas falam inglês. Ajudamo-nos mutuamente. Nós aprendemos português e elas inglês”.

Fora das quatro linhas, Daniella está a estudar na área do treino desportivo, dá treinos individuais a Jovens do Guia e joga padel nos tempos livres. O estilo de vida no Sul convenceu-a rapidamente. “O clima é muito melhor do que em Inglaterra e as pessoas são alegres e cheias de vida. O ritmo é mais calmo, mas de uma forma muito positiva”.
O clima é muito melhor do que em Inglaterra e as pessoas são alegres e cheias de vida. O ritmo é mais calmo, mas de uma forma muito positiva.
Daniella Way
Apesar de competir na 3ª Divisão, a jogadora considera o nível de exigência consistente com patamares superiores. “Não vejo muitas diferenças de rotinas em relação ao segundo escalão, apenas o nível de competitividade”, defende, admitindo que os objetivos para esta época estão bem definidos. “A subida à 2ª Divisão é uma das grandes metas. Mas o essencial é mantermos a união e construirmos isso juntas como equipa, não só dentro de campo, mas também fora dele”.
Daniella Way já conhece bem o futebol feminino em Portugal, pelo que a avançada sublinha a necessidade de equilibrar as atenções no mapa. “Para as raparigas aqui no Sul, acho que deviam existir mais oportunidades. Os grandes clubes e a maior visibilidade estão concentrados a Norte. O futebol no Sul precisa de mais atenção para que as jogadoras tenham mais hipóteses de progressão”.
Os grandes clubes e a maior visibilidade estão concentrados a Norte. O futebol no Sul precisa de mais atenção para que as jogadoras tenham mais hipóteses de progressão.
Daniella Way
A nível individual, Daniella encara a passagem por Albufeira com pragmatismo. “Primeiro quero afirmar-me e ajudar o Guia a atingir os seus objetivos, aproveitando esta fase para evoluir”. A grande meta, essa, continua bem elevada. “O maior sonho? Jogar o Campeonato do Mundo por Portugal”, conclui.



