Estágio da Jogadora tem treinos e tem ações de formação sobre saúde mental e contratos de trabalho

Segunda edição arrancou no Campus do Jogador, em Odivelas, e Carla Couto, histórica avançada da seleção nacional, é a treinadora principal. “Ainda existe muito preconceito sobre a mulher poder jogar futebol”, lembrou Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, estrutura que organiza a iniciativa.

Redação

A primeira edição correu bem no ano passado e a bola já rola no Campus do Jogador, em Odivelas, até 14 de agosto. A segunda edição do Estágio da Jogadora, iniciativa do Sindicato dos Jogadores, não tem apenas uma vertente desportiva, tem também uma componente formativa com ações sobre temas como saúde mental, literacia financeira, contratos de trabalho e pós-carreira.

Há vários objetivos em jogo. “Vamos procurar, de alguma forma, enquadrar e capacitar as jogadoras para que tenham outras ferramentas e depois, na sua vida particular e enquanto atletas, poderem também fazer a diferença”, destacou Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, na apresentação da atividade. Fazer face à falta de praticantes femininas, combater o preconceito e possibilitar às mulheres as mesmas condições dos homens são os principais propósitos assumidos pela estrutura sindical.

“O futebol português tem falta de praticantes femininos e ainda existe muito preconceito sobre a mulher poder jogar futebol. Os pais têm dúvidas e não acreditam nos espaços seguros, mas há uma mudança de mentalidade para que as mulheres possam alimentar o sonho de ser futebolistas, se o quiserem fazer”, referiu Joaquim Evangelista. Neste estágio, as atletas têm a oportunidade de testar as suas qualidades e prosseguir ou não uma carreira no futebol. “O primeiro objetivo é dar às jogadoras as mesmas condições que aos homens. Queremos que as mulheres tenham oportunidades no futebol”, sublinhou o responsável.

Os pais têm dúvidas e não acreditam nos espaços seguros, mas há uma mudança de mentalidade para que as mulheres possam alimentar o sonho de ser futebolistas, se o quiserem fazer

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores


Carla Couto, ex-internacional portuguesa e diretora do Sindicato dos Jogadores, lidera a equipa técnica deste estágio. “O que queremos é que olhem para nós e sintam que da nossa parte fazemos e temos feito de tudo para que se sintam integradas e apoiadas. O nosso trabalho não é só de vos defender, mas também de promover o futebol feminino e acho que nisso temos feito um bom trabalho”, disse ao grupo de 21 jogadoras no arranque da iniciativa.

Catarina Realista, jogadora e embaixadora do Sindicato dos Jogadores para a Educação, esteve presente no pontapé de saída. “É bastante importante terem uma pré pré-época e haver estas oportunidades para todas, para poderem se desenvolver, terem novos contactos e entrarem mais bem preparadas na nova temporada”, afirmou a jogadora que, na última época, representou o Racing Power, na Liga BPI.

Carla Couto, dirigente responsável pela iniciativa, é apoiada na coordenação por Matilde Fidalgo, assessora do sindicato para o futebol feminino, e Micaela Matos, delegada do sindicato. Na equipa técnica está ainda a treinadora-adjunta Filipa Silva, que terá a sua primeira experiência nestas funções.