Inês Valente: “O futebol faz de mim uma melhor pessoa, uma melhor estudante” 

Inês Valente joga no meio-campo da equipa do Leixões, na II Divisão. Começou a jogar com o irmão, em casa, até ser noite e a mãe os chamar para jantar. Um bom jogo, na sua visão, é um jogo que se ganha a jogar bem. Tem 21 anos e está no 4.º ano de Medicina.

Inês Valente
Foto: Igor Martins

Como começas a jogar futebol?
Jogava com o meu irmão e jogava na escola. Em casa, ficava a jogar com ele até ficar noite e a nossa mãe nos chamar para jantar. 

Que idade tinhas?
Não me lembro, foi desde de sempre. 

Na escola, jogavas futebol com rapazes? 
Sim, jogava com os rapazes, até uma certa idade. Depois começou a ser um bocado desconfortável e não jogava assim tanto. 

Começaste numa equipa mista ou com apenas com raparigas? 
Em competição, em contexto competitivo, foi só com raparigas. Antes tinha jogado com os rapazes, mas não havia competição para a minha idade, então jogava com eles.

Como está a ser a experiência no Leixões? 
É um contexto diferente. Estou a gostar de estar aqui. 

Estavas no FC Porto na época passada. Como foi a saída? 
O Porto é, como toda a gente consegue perceber, um contexto diferente daquilo que é o habitual no futebol feminino, dá condições que é muito difícil encontrar noutros contextos. Foi uma época muito bonita. 

Jogaste em vários clubes, Boavista, Famalicão, Castêlo da Maia, tens quatro internacionalizações pelas seleções jovens. O que é que o futebol te tem dado? 
Várias coisas. O futebol faz de mim uma melhor pessoa, faz de mim uma melhor estudante, faz de mim melhor em tudo. A melhor coisa que me dá são as amizades. 

Inês Valente

Gosto muito de jogar em jogo apoiado, com passe receção, mas há sempre lugar para a criatividade. Gosto de pegar no jogo

Inês Valente

O que estás a estudar? 
Medicina, estou no 4.º ano, no ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. 

Já escolheste a especialidade? 
Ainda não sei, gosto de tudo e isso é um problema. Aparece uma coisa nova e ganho interesse. Neste momento, procuro excluir, mas não sei o que quero. Gosto mesmo de tudo. 

Um curso de Medicina, jogar futebol. Como organizas o teu tempo? 
É a pergunta típica. Até agora, e espero que isto não se vire contra mim, não é assim tão complicado como as pessoas acham. Aliás, o futebol faz de mim uma melhor estudante. Se a Medicina faz de mim uma melhor atleta, já não sei. Mas, para mim, faz sentido estudar e jogar futebol. 

Voltando ao Leixões. Está a ser uma época complicada…
Sim e os resultados demonstram isso mesmo. 

Acreditas na manutenção na II Divisão?  
Sim, se não acreditasse, não estaria aqui. Vai ser complicado, temos consciência disso. 

O que mais valorizas no jogo jogado?
Claro que a vitória é importante, mas ganhar a jogar bem. Jogo apoiado, fintas também, fazem parte da criatividade. 

Inês Valente

Já perdi várias vezes, não é banalizar a derrota, mas há que saber lidar com ela e tirar a parte boa disso

Como é que te defines dentro de campo? 
Gosto muito de jogar em jogo apoiado, com passe receção, mas há sempre lugar para a criatividade. Gosto de pegar no jogo. 

Chegará uma altura em que terás de escolher ser médica ou jogar futebol. Já tens isso definido na tua cabeça ou é algo em que não pensas, por enquanto? 
Não penso, levo as coisas a curto prazo. Enquanto fizer sentido estar nos dois, vou estar nos dois. 

Como reages a uma derrota?
Já reagi pior, já perdi várias vezes, não é banalizar a derrota, mas há que saber lidar com ela e tirar a parte boa disso. 

Qual é o teu maior sonho no futebol? 
Neste momento, não tenho sonho. É divertir-me, esse é o meu foco. 

Como vês o crescimento do futebol feminino?
Neste momento, comparando com quando comecei, já está muito melhor. A II Divisão, este ano, está mais competitiva do que nunca. Joguei na II Divisão há três anos e não se compara com agora. Acho que isso é um exemplo de que está muito mais competitivo e que o futebol feminino está a crescer. 

Inês, o que é, para ti, um bom jogo?
Um bom jogo é um jogo que se ganha a jogar bem.