Joana Ribeiro: “Sou um produto da formação que está a dar frutos na equipa sénior do Vitória”

Joana Ribeiro joga no meio-campo do Vitória Sport Clube, com a camisola 27. Aos 16 anos, estreou-se na equipa sénior. Começou no futsal, mas era futebol que realmente queria. Entretanto, foi chamada à seleção nacional sub-18.

Joana Ribeiro, Vitória
Foto: Igor Martins

Tem feito o seu caminho, é fruto da formação do Vitória, a treinar e a subir de escalão, a jogar nas Sub-19, a conquistar espaço na equipa sénior. O seu maior sonho é ser profissional de futebol. É uma jogadora muito agressiva, que sabe ler bem o jogo, garante. Kika Nazareth e Carolina Tristão são as suas referências. 

Joana Ribeiro estuda e joga. O esforço compensa, esteve na última convocatória da seleção nacional sub-18. Como diz o ditado, que a mãe repete quando chega a casa cansada, quem corre por gosto, não cansa. 


Como começas a jogar futebol? Começaste, na verdade, por jogar futsal. Era o que querias? 
Comecei pelo futsal. Nessa altura, eu tinha oito anos, só havia futebol misto aqui no Vitória, e os meus pais não queriam pôr-me a jogar com rapazes. E então entrei para o GTEAMque era um clube só de meninas, de futsal, mesmo sabendo que o que eu queria era futebol. 
Assim que surgiu a oportunidade, ingressei no Vitória. Vim fazer um treino com os meus 13 anos, um treino experimental, e desde aí nunca mais larguei o Vitória, nunca mais larguei o futebol. Tem sido uma experiência muito bonita até hoje.

Com 16 anos, já te estreaste na equipa principal. Como foi essa entrada em campo? 
Foi um momento muito bom, que eu já esperava há bastante tempo. Acho que aconteceu no momento que tinha de acontecer, era uma coisa que já queria muito, tenho vindo a trabalhar para isso. 
Foram momentos muito especiais, estavam aqui os meus pais, também gostei que eles me vissem a realizar este momento, que era também um grande objetivo meu. Espero continuar a trabalhar para que venham muitos mais minutos pela equipa sénior do Vitória. 

És um exemplo da formação do Vitória com uma ascensão muito rápida. O trabalho da formação é um trabalho intenso? 
Sim, cada vez mais, e desde a formação, temos condições muito boas, muito acima da média. O Vitória tem vindo a trabalhar desde a coordenação até às equipas técnicas, aos escalões, à preparação dos treinos, à preparação dos jogos. É uma preparação muito boa que depois dá às atletas esta vontade de quererem ser melhores, porque nós, basicamente, só temos de nos preocupar quase com treinar e vir jogar. Estão a trabalhar muito nesse sentido para que as jogadoras da formação consigam evoluir e chegar a patamares como eu já consegui chegar e como muitas outras vão chegar de certeza, se assim o quiserem. 

Joana Ribeiro, Vitória

Espero continuar a trabalhar para que venham muitos mais minutos pela equipa sénior do Vitória

Joana Ribeiro

Convocada para a seleção nacional sub-18. Como foi esse momento? 
Foi um momento muito bom, já estava à espera, só que nunca mais acontecia. Foi um dia muito feliz para mim, fiquei mesmo muito contente e muito orgulhosa. Tenho vindo a trabalhar para isso e é muito bom ver os meus resultados a serem atingidos. Foi um momento de muito orgulho e que nunca mais vou esquecer na minha vida. 

O que mais se destaca em ti, dentro de campo, que desperta a atenção? 
Acho que sou uma jogadora muito agressiva, que sabe jogar, que sabe ler bem o jogo. Tenho um bom remate. Sou uma jogadora que gosta de ser comunicativa durante o jogo, gosta de falar com as colegas, gosta de ser a voz da equipa. Acho que essas são as minhas principais características aqui no futebol. 

Num plantel sénior, pode ser diferente.
Tenho de aprender um bocadinho mais. Se calhar, são elas mais a liderar-me e eu mais a aprender. Mas, enquanto sub-19, gosto de ser eu a tentar levantar a equipa, a tentar comandar. 

Que importância tem esta confiança do Vitória em ti, menina da formação que chega à equipa sénior? 
É muito importante saber que já me veem dessa forma, saber que me têm como um produto da formação que está a dar frutos na equipa sénior. É uma coisa muito boa pela qual eu sempre sonhei, quando comecei aqui no Vitória, em que olhava para as seniores e dizia: um dia, eu quero chegar lá, eu quero estar lá.
Fui fazendo o meu caminho, aos poucos fui subindo de escalão, fui tendo minutos aqui, fui vindo a treinos, a jogos. Foram experiências que me ajudaram a ser quem eu sou hoje, como jogadora e como pessoa também. É um orgulho poder dizer que estou aqui há 4, 5 anos, e que consegui estrear-me pela equipa principal. 

Joana Ribeiro, Vitória

Fui fazendo o meu caminho, aos poucos fui subindo de escalão, fui tendo minutos aqui, fui vindo a treinos, vindo a jogos

Qual é o teu maior sonho no futebol? 
O meu maior sonho é conseguir atingir o patamar profissional no futebol, conseguir ser jogadora de futebol profissional, e continuar a ser chamada à seleção até chegar à principal, à seleção A.

Tem sido fácil conciliar o futebol com os estudos? 
 
Como se costuma dizer, quem corre por gosto não cansa. É o que a minha mãe me diz, às vezes, quando chego a casa e digo que estou mesmo cansada porque é difícil. Tenho aulas desde as 8h30 até às 17h20 quase todos os dias. Depois, venho aqui treinar, quando venho às seniores tenho de vir treinar de manhã, é uma logística difícil. Mas, lá está, quando fazemos aquilo que gostamos, as coisas tornam-se um bocadinho mais fáceis e dá-nos mais vontade para continuar a trabalhar e conseguir conciliar as duas coisas. 

Quais são as tuas referências no futebol? 
No futebol feminino, gosto muito da Carolina Tristão, que é da minha idade e está já a atingir um patamar muito alto no Benfica. É uma referência. E a Kika Nazareth. 

Joana, o que é, para ti, um bom jogo? 
Um bom jogo é aquele em que entramos com vontade de ganhar. Para mim, é um jogo em que eu me destaco. É um jogo com adeptos, um jogo mais fervoroso, por exemplo, contra um adversário mais ao nosso nível. É um jogo competitivo, é um jogo ambicioso. Isso, para mim, é um bom jogo.