Luísa tem 22 anos e a primeira experiência na equipa do Rio Mau foi boa, confessa. Jogou no Feirense, parou e voltou ao futebol. O bichinho estava lá, decidiu voltar aos relvados. Confessa que lida mal com as derrotas, pensa no que fez mal, no que podia ter sido melhor, como melhorar como equipa. Nas vitórias, é uma alegria imensa, quase como ganhar o campeonato.
A irmã Leonor Sousa é a sua única referência no futebol, jogou no Feirense, no Braga e agora está nos Estados Unidos. Luísa vê o futebol feminino português a ser melhor e acredita que a seleção nacional estará no Mundial do Brasil em 2027. Conta que já não tem sonhos no futebol, joga porque gosta, por desporto, e porque ajuda a abstrair a cabeça de outras coisas.
Como és dentro de campo?
Não sei bem dizer como é que sou. Acho que sou calma em certos momentos, mas também expludo facilmente. Depende. Depende do dia e do jogo. Depende de muita coisa.
Como é o ambiente no Rio Mau fora de campo, com os adeptos? É um ambiente muito efusivo?
É bom, é bom, normalmente não temos muita gente a ver os jogos, mas as pessoas que estão, estão sempre a apoiar. Mesmo poucas, são boas e isso é importante. É um ambiente bom, eu gosto de estar aqui.
Tens algumas referências no futebol?
Só a minha irmã, Leonor Sousa. Ela jogou no Feirense, no Braga, e agora está nos Estados Unidos, também já foi à seleção.
Vês os jogos da seleção nacional? Acompanhas o futebol feminino com regularidade?
Mais ou menos. Como não passo muito tempo em casa, não acompanho muito, mas os jogos mais importantes vejo sempre.
Achas que a seleção nacional vai estar no Mundial?
Eu penso que sim, espero que sim.
Como é que lidas com uma derrota?
Mal, mal. Penso sempre que podia ter dado mais, tanto eu como a equipa. E como nós aqui não temos muitas vitórias, quando acontece é como se fosse a melhor coisa do mundo, parece que ganhamos o campeonato.

Acho que o futebol feminino português daqui a 10 anos vai estar no nível dos Estados Unidos
Luísa Sousa, Rio Mau
Só jogas ou também estudas?
Estudo Design de Comunicação, trabalho, e jogo futebol.
E é fácil conciliar todas as coisas?
Não, porque estudo no Porto, vivo em Ovar e treino no Rio Mau (Penafiel).
Tens de ser muito disciplinada. Como é que organizas o teu tempo?
Não sou a pessoa mais disciplinada, mas tento conciliar tudo. Saio da universidade e o foco é vir treinar. Depois do treino é que se pensa no resto, na universidade e na vida.
Como é que vês o crescimento do futebol feminino em Portugal?
Está num nível bom, em relação a outros países claro que tem o seu atraso, mas à medida dos anos, e já estou nisto há algum tempo, a minha irmã joga futebol desde os 7 anos, tem evoluído cada vez mais. E acho que o futebol feminino português daqui a 10 anos vai estar no nível dos Estados Unidos.
Tens algum sonho no futebol?
Não, eu achava que sim, entretanto, quando parei, percebi que faço mais isto por desporto, para me sentir bem e para abstrair a cabeça de outras coisas.
Paraste algum tempo?
Sim, parei 3 anos. Entretanto voltou aquele bichinho e estou aqui.
E voltaste.
Voltei.
E como bate esse bichinho de voltar para o futebol?
Não sei, acho que ele sempre existiu, não existia uma equipa que eu quisesse, quando me disseram para vir para aqui, eu vim. Nem pensei duas vezes.
Mesmo tendo de andar sempre de um lado para o outro?
Sim, mesmo a ter de andar de um lado para o outro. O bichinho existe e estou aqui.



