Maia Rodrigues: “Em Portugal, as adversárias são mais agressivas do que em Itália”

Maia Rodrigues é avançada do Gil Vicente, na 2.ª Divisão, jogadora emprestada pelo Parma de Itália. Já vestiu a camisola da seleção sub-20 do Brasil. Tem dupla nacionalidade: alemã e brasileira.

Maia Rodrigues
Fotos: Maria João Gala

É a sua primeira experiência no futebol português. Começou a jogar à bola com o irmão, na praia, nas férias, no Brasil. Praticava atletismo, ténis, esqui. Sentiu que o futebol é diferente, é outra coisa. Aos 10 anos, treinou num clube, gostou, nunca mais largou. Já jogou no Sampdoria, em Itália, e no Essen, na Alemanha. Agora, tem contrato de 3 anos com o Parma de Itália. 

A equipa do Gil Vicente trabalha todos os dias para tentar subir para a 1.ª Liga, garante. Acredita que é possível alcançar o objetivo. Maia joga e estuda Psicologia, tem aulas online numa universidade da Alemanha. Tem 18 anos. Vive um dia de cada vez. Um jogo de cada vez.   

Emprestada pelo Parma de Itália ao Gil Vicente. É a tua primeira experiência no futebol feminino em Portugal? 
Sim, é a minha primeira experiência e estou gostando daqui. É bem legal, as meninas são muito agradáveis, os treinadores e o staff também, me senti muito bem recebida. 

És avançada, tens 18 anos, já jogaste na seleção sub-20 do Brasil.
Tinha 17 anos e fui convocada para a seleção sub-20 do Brasil. Eu era bem novinha e agora, talvez no futuro, espero ter alguma possibilidade de novo. 

Jogaste com a camisola brasileira. 
Foram jogos amistosos. 

Uma bela experiência?
Lógico, claro que sim. 

Sentes diferenças entre o futebol italiano e o português?
Como atacante, sinto que aqui, em Portugal, as adversárias são mais agressivas do que em Itália. Em Itália, também há um futebol bem agressivo e técnico também. Aqui, pela minha experiência, é bem agressivo, bem firme, é uma coisa boa. Dá para ver a mentalidade portuguesa, que é uma mentalidade de vencedor. 

Como surge a tua paixão pelo futebol?
Na realidade, sempre fiz atletismo, ténis, outras coisas, não jogava futebol. Tenho um irmão, mais velho, e jogava com ele na praia, no Brasil, nas férias. Um dia, surgiu a oportunidade de também jogar futebol. Fui para um clube, ver como é que era, e gostei.
Havia um clube que tinha interesse e as coisas aconteceram de forma bem rapidinha e naturalmente. Optei por futebol. Tinha outras oportunidades, de outras maneiras, ténis, esqui, atletismo, mas o futebol é uma coisa diferente. A experiência é realmente diferente. 

Maia Rodrigues

Eu gosto de jogos difíceis. Eu gosto de jogos contra boas equipas, onde sinto a equipa, onde sinto a torcida fora do estádio. Uma atmosfera muito quente, muito ativa, com muita emoção

Maia Rodrigues

Há quanto tempo jogas futebol?
Comecei com 10 anos, há oito. 

Neste momento, só jogas ou também estudas? 
Estou a estudar Psicologia. É online numa universidade na Alemanha, tenho essa oportunidade. É legal, estou gostando. 

Porquê Psicologia? 
Ainda não sei a 100% o que quero fazer, há muitas coisas para fazer com Psicologia. Talvez algo com desporto, Psicologia do Desporto. Talvez um dia, na seleção. É um sonho, penso nisso, mas agora é só futebol. 
Estou na universidade, gosto de aprender outras coisas, não só o futebol. E estou gostando. Psicologia é uma matéria muito interessante, muito para aprender, muito intensa. 

O Gil Vicente está na 2.ª Divisão. A expetativa é subir para a 1.ª?
Sim, esse é o nosso objetivo, o nosso foco. Estamos trabalhando aqui, todos os dias, para isso. Nós queremos subir para a 1.ª divisão. Não tenho dúvida nenhuma de que esta equipa tem a capacidade de alcançar esse objetivo.

Acabando a época no Gil Vicente, voltas ao Parma de Itália? 
Se tudo correr bem, acho que sim. Nunca se sabe o que acontece no futuro, mas tenho um contrato no Parma de 3 anos. Este ano, estou emprestada, volto e, depois, nunca se sabe. 

O que te fascina em Portugal? O que é que o país tem de interessante? 
A comida é muito boa, a paisagem, há muitas coisas lindas aqui em Portugal. E também o idioma. O idioma é parecido com o português do Brasil. Lógico que tem diferenças, mas é um idioma bem bacana. O idioma é importante. 
No 1.º ano, em Itália, quando cheguei não falava nenhuma palavra em italiano. Tive de aprender. Aqui, já conheço, posso falar com as pessoas, com as meninas. Falar o idioma realmente é uma vantagem.

Maia, o que é, para ti, um bom jogo? 
Eu gosto de jogos mais à noite. Eu gosto de jogos difíceis. Eu gosto de jogos contra boas equipas, onde sinto a equipa, onde sinto a torcida fora do estádio. Realmente gosto disso. Uma atmosfera muito quente, muito ativa, com muita emoção. Acho que isso é muito o meu jogo.