“Mais um dia histórico para o futebol feminino português”

A opinião de Nuno Cristóvão sobre o clássico Benfica-Porto na final da Taça de Portugal, a competição que designa como “A menina dos meus olhos”.

Taça de Portugal
Foto: FPF

17 de Maio de 2026. Final da Taça de Portugal Feminina. 2258 espetadores – recorde de assistência. F. C. Porto/S. L. Benfica. 

Mais um dia histórico para o futebol feminino português. Maior assistência de sempre da uma final da Taça de Portugal Feminina. Primeiro clássico entre equipas grandes do futebol português nesta competição.

Mas grandes também são as restantes 100 equipas que participaram na prova esta época. Outro recorde batido. É que os ditos mais pequenos são enormes porque deles depende muito daquilo que é hoje o futebol feminino em Portugal.

“A menina dos meus olhos”. Foi assim que designei esta competição que tive a honra, juntamente com mais uns quantos que sempre acreditaram nesta área do futebol, de ajudar a iniciar-se em 2003/2004.

Essa primeira edição, posso revelá-lo agora, e a forma como não foi cuidada, pela FPF, a organização da final da mesma, em Abrantes, foi a principal razão que me levou a decidir não querer continuar na função de selecionador nacional.

Hoje estou muito contente, porque alguns anos mais tarde, o cuidado passou a ser outro e a final desta época, e de outras anteriores, assim o demonstrou.

Quanto ao resultado, para mim, é o que menos importa para quem gosta do futebol praticado pelas mulheres e raparigas em Portugal.

O S. L. Benfica, hexacampeão nacional, ganhou com toda a justiça, pelos dois golos que marcou. E o futebol ganha-se com golos. Equipa muito acima das restantes equipas portuguesas, mostrou a sua esperada superioridade e favoritismo. Entrou praticamente a ganhar no jogo, tendo aumentado a vantagem perto do intervalo, com golos marcados pela mesma jogadora, Caroline Moller, que foi designada a Mulher do Jogo, ambos na sequência de dois pontapés de canto.

Não posso deixar de realçar a forma digna com que o F. C. Porto esteve na partida, valorizando a final com a sua postura. Equipa vencedora da 2ª Divisão Nacional, um escalão abaixo do seu opositor, procurou dar a réplica possível, com uma postura digna de um campeão, tendo na sua guarda-redes, Cora Brendle, a sua melhor jogadora em campo, com uma exibição de alto nível.

Está quase no fim mais uma época do futebol feminino português. Venha a próxima com feitos ainda maiores.