O pai é treinador, lá em casa sempre se ligou ao futebol, Maria foi fazer um treino, experimentou, gostou e ficou. Tem agora 20 anos, passou a época na Juveforce na 2.ª Divisão, usou a braçadeira de capitã, vestiu a camisola 21. Gosta de ver a equipa calma e de falar quando está dentro de campo. Acima de tudo, quer desfrutar do futebol. Confessa que os objetivos são para ser cumpridos jogo a jogo, ano após ano.
Considera que o futebol feminino tem crescido em Portugal, mas que ainda faltam alguns passos para chegar ao patamar de outras ligas lá fora. As condições de trabalho são, por isso, um assunto. No entanto, acredita que quando se quer realmente, tudo se consegue. Joga e está na universidade a estudar Dietética e Nutrição, em Coimbra. Como pessoa organizada que é, consegue conciliar as duas vertentes e gerir o tempo da melhor forma.
Ser capitã da equipa é uma responsabilidade acrescida?
Sim, acho que sim, mas apenas usamos a braçadeira por reconhecimento da equipa técnica. Acima de tudo, quero ver a equipa bem e não sou assim muito focada nisso de ser capitã. Basicamente tento focar-me mais na equipa e ajudar, acima de tudo.
Há mensagens que passas, estás atenta às jogadoras quando elas estão mais em baixo? O papel de capitã também é esse, dentro e fora de campo?
Sim, eu gosto sempre de ajudar quando as pessoas não estão bem e, às vezes, acalmar alguns ânimos, mantendo sempre o balneário junto para que depois os resultados possam aparecer também.
E como é essa experiência na Juveforce na tua segunda época, depois de subires da 3.ª para a 2.ª Divisão?
É um clube muito acolhedor, quase como uma família. Quem gosta de jogar futebol opta sempre por esses clubes que nos juntam como família e fazem uma segunda casa.

O que mais aprecias no jogo jogado?
Bola no chão, os golos são quase um fator extra. Gosto de um futebol bem jogado, com passe, muito toque de bola, coisas dinâmicas. Nada de muito bola para a frente.
Normalmente, no meio-campo há espaço para uma certa criatividade. És uma jogadora criativa?
Não sou criativa, sou mais uma jogadora de equilíbrio, mais pensativa, gosto de pensar o jogo.
És uma voz de comando dentro do campo?
Sou uma voz de comando. Gosto, particularmente, de falar muito quando estou em campo.
Quem gosta de jogar futebol opta sempre por esses clubes que nos juntam como família e fazem uma segunda casa.
Maria Santos, Juveforce
Como começaste a jogar futebol?
O meu pai é treinador, é a base. Desde sempre, estava habituada a ligar ao futebol. A certa altura, há 10 anos, o meu pai conhecia uma treinadora, a Paula Pinho que treinava no Albergaria, fui lá fazer um treino, experimentei e gostei. E estou aqui.
Qual é o teu maior sonho no futebol?
Principalmente desfrutar. O convívio, acima de tudo, é o que eu quero do futebol. Se houver algo mais sério, ok, tudo certo. Se não houver, acho que os objetivos são para ser cumpridos ano a ano. É isso que eu espero do futebol.
Só jogas futebol ou fazes outra coisa?
Também estudo, estou a estudar Dietética e Nutrição em Coimbra.

O que também ajuda no futebol.
É verdade.
É complicado gerir os estudos com o futebol?
Não é fácil, mas quando se quer, tudo se consegue. Sou uma pessoa organizada e consigo ter tempo para tudo.
Não é fácil gerir futebol e estudos, mas quando se quer, tudo se consegue. Sou uma pessoa organizada e consigo ter tempo para tudo.
Como vês o crescimento do futebol feminino em Portugal?
Tem crescido, é verdade, mas acho que ainda faltam alguns passos serem atingidos para nos compararmos com outras ligas.
Que passos? Melhores condições, mais dinheiro, mais equipas na 1.ª Liga?
Por exemplo, acho que isso também é uma ajuda. As condições têm vindo a melhorar, mas é um tópico de que se pode falar. Mas acho que quando se quer, mesmo com baixas condições, tudo se consegue. Basta as pessoas quererem também. É óbvio que entre quem têm muito e quem não tem nota-se uma diferença. As condições também afetam.
Quais são as tuas referências no futebol?
Não tenho nenhuma jogadora como referência, mas gosto de ver jogos como os da liga inglesa, por exemplo, que têm muito toque de bola, é o que mais me puxa.
Maria, o que é, para ti, um bom jogo?
Acima de tudo, que dê vitória para a minha equipa. Mas que seja um jogo engraçado de se ver e apelativo também, que não seja só ganhar por ganhar.



