Mariana Barroso, Leixões: “Valorizo a raça e gosto de ver jogadoras a querer bola”

Mariana Barroso joga no meio-campo da equipa do Leixões, na 2.ª Divisão. É treinadora de meninas dos 7 aos 10 anos e conta que tem sido incrível ver tanto gosto e dedicação ao futebol. Joga, treina, e estuda Treino Desportivo.

Mariana Barroso, Leixões
Foto: Igor Martins/Magriça

Desde pequena que gosta de desporto e as brincadeiras, em casa com o irmão e na escola com os colegas, tinham sempre uma bola de futebol. Esta é a sua primeira época no Leixões, joga no meio-campo, com o número 26. Está a ser uma boa experiência, confessa. Tem 23 anos e é uma jogadora que gosta de ter bola nos pés. Nem sempre foi assim.  

Mariana Barroso fala dos adeptos do Leixões, do apoio das bancadas que entra pelo relvado e que motiva a equipa que está focada em garantir a manutenção na 2.ª Divisão, que considera bastante competitiva. Como treinadora, faz questão de transmitir o gosto pelo futebol.  

É a tua primeira época no Leixões?
Sim, é a primeira época no Leixões. 

E como é que está a ser a experiência?
Está a ser desafiante porque foi a primeira vez que mudei de clube e, então, o impacto é diferente. Foi um desafio conhecer pessoas novas. O contexto do Leixões, em relação ao que eu estava, também é completamente diferente. 
O apoio dos adeptos foi algo que mexeu comigo, porque senti-os de perto e o calor que o Leixões transmite é completamente diferente de tudo aquilo que eu vivi até agora a nível do futebol. Acima de tudo, foi um desafio e está a ser uma experiência incrível. Apesar do contexto de resultados, o ambiente está a ser bom. 

Há aqui, portanto, um ambiente especial que sentes da bancada?
Sim. A nível dos adeptos sinto um apoio enorme e é a primeira vez que estou a vivenciar um calor tão humano no futebol feminino. 

Os resultados têm sido complicados…
Sim, os resultados têm sido complicados, mas o facto de os adeptos darem-nos esse calor é também desafiante. Queremos sempre dar o nosso melhor e, apesar de nem sempre acontecer isso, eles estão sempre lá. 

Achas que a equipa vai conseguir a manutenção? 
Acho que sim. A 1.ª fase foi um processo desafiante, mas a nível da 2.ª fase acho que estamos preparadas para ela. Com o processo e com o tempo, a médio e longo prazo, vamos conseguir superar estes resultados. 

A 2.ª Divisão está bastante puxada, bastante competitiva?
Está bastante competitiva. Acho que o futebol feminino, em si, está mais competitivo. O facto de ter havido uma divisão maior das equipas tornou a 2.ª, a 3.ª e a 1.ª mais competitivas. E, sim, fez com que esta 2.ª Divisão fosse mais competitiva em relação ao ano passado, mas a 3.ª e a 4.ª estão também competitivas para o contexto em si. 

É a primeira vez que estou a vivenciar um calor tão humano no futebol feminino

Mariana Barroso

Jogas futebol há quanto tempo?
Há 14 anos.

Começaste muito novinha. 
Sim, com 8 anos a fazer 9.

Como surgiu essa paixão pelo futebol?
Desde sempre. Tenho um irmão e as nossas brincadeiras eram ir para o pátio jogar à bola até a minha mãe nos chamar. Depois surgiu a oportunidade de, num dia aberto no Valadares, toda a gente que quisesse experimentar podia aparecer. A seguir disseram-me que iam abrir as inscrições para começarem com equipas do escalão de formação e eu disse logo ao meu pai, eu tenho de ficar aqui. E fui a primeira. O meu pai foi ao carro buscar os documentos e eu fui a primeira na fila para me inscrever. Foi assim que começou. Mas a paixão existiu desde sempre porque as minhas brincadeiras, tanto na escola como em casa, eram com uma bola de futebol.

Mariana Barroso, Leixões

Dentro de campo, o que mais valorizas? 
É uma pergunta complicada. Eu era uma jogadora que não gostava de ter tanta bola e gostava de ver o posicionamento, por exemplo. Agora gosto de ter bastante bola. Valorizo a raça, gosto de ver jogadoras, eu própria sou assim, a querer bola, lutar pela bola, lutar pela equipa, pelas colegas. Acho que é isso, acima de tudo, a união e a raça dentro de campo. 

Mudaste de clube e foste bem recebida na equipa? 
Sim, fui sempre bem recebida pela equipa técnica e pelas colegas novas, inclusive. Desde o primeiro dia, incutiram-me que fizesse atividades com elas, desafios dentro do balneário e só por aí notou-se logo uma diferença muito grande. Desde o primeiro dia que senti união da parte delas, receberam-me bem. 

A 2.ª Divisão está bastante competitiva. Acho que o futebol feminino, em si, está mais competitivo

Estás a estudar? 
Estou a tirar a licenciatura, na universidade do IPEMAIA, em Treino Desportivo. Está tudo ligado ao desporto, desde pequenina que sempre foi um sonho, é um objetivo, e espero também profissionalmente, se não for como jogadora, vingar nesta área. 

Como vês o crescimento e o percurso de futebol feminino em Portugal?
Para mim, é um motivo de orgulho porque lembro-me de começar e de não haver equipas. Comecei a jogar contra rapazes porque ainda não havia equipas femininas da minha idade. 
Sou treinadora, estou no futebol feminino, e ver que, neste momento, as minhas atletas podem competir com atletas femininas, é uma evolução muito grande. E ver isso de perto é um motivo maior de orgulho porque, desde cedo, que acompanhei o futebol feminino. 

Treinas jogadoras de que idades? 
A mais nova tem 7 e a mais velha tem 10 anos. 

São miúdas motivadas e apaixonadas pelo futebol? 
Sim, acima de tudo, é isso que tento transmitir às meninas que, se calhar, vêm um bocadinho por lazer, porque muitos pais querem que elas façam desporto, mas algumas já vêm com gosto e ver isso é incrível. Acima de tudo, a minha mensagem, o que quero transmitir, é o gosto pelo futebol. 

Tens referências no futebol?
O Cristiano Ronaldo e o meu namorado. Ele, neste momento, não está no profissional, tem uma história no futebol, e é o que me motiva. Ele não pôde vingar por causa de uma lesão no joelho, mas a forma determinada de tentar, com todas as dificuldades por que passa, é o que me dá a inspiração e é o que, acima de tudo, me motiva a continuar. Esta época, se estou aqui, é por causa dele. 

Barroso, o que é, para ti, um bom jogo?
Agressivo.