É a primeira vez que muda de clube e foi bem recebida, bem acolhida. Mariana Oliveira está no Lourosa, está a gostar da experiência, e está na disputa pela subida de divisão. A equipa está motivada, garante. Joga e estuda. Tem 22 anos e é aluna do curso de Gestão da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
O futebol feminino tem crescido e pode crescer mais. Há jogadoras talentosas e há melhores condições. E há muitas meninas que jogam e que não têm medo de o fazer. Mariana vê tudo isso a acontecer e vê a seleção nacional no Mundial de 2027. O futebol tem-lhe dado boas amizades. Gosta de partilhar o campo com as colegas e da competitividade.
Como é que nasce este gosto pelo futebol?
Inicialmente fazia ginástica artística. Tenho dois meios-irmãos que jogam futebol. O meu pai e o meu padrinho também já jogaram futebol, a minha mãe já jogou futsal, e eu sempre joguei com eles. Houve uma altura que decidi: porque não?
E como está a ser a experiência aqui, no Lusitânia de Lourosa?
Está a ser boa. É um bocadinho diferente, estava habituada a um clube, é a primeira vez que mudo. As pessoas acolheram-me bem, o grupo é incrível, e estou a gostar.
A equipa está motivada agora nesta fase de subida?
Sim, estamos bastante motivadas, temos um bom grupo, se lutarmos todas para o mesmo, podemos fazer algo engraçado.
E os adeptos dão bastante apoio?
Sim, os adeptos e o público em geral. Em todas as equipas em que joguei, tínhamos uma boa bancada. Sinto que nos apoiam bastante.
Como és dentro de campo?
Não sou uma pessoa muito tecnicista, mas sou uma pessoa com bastante garra e que não dá uma bola por perdida.
Como lidas com a derrota?
Fico frustrada, principalmente se souber que podia ter feito mais, se souber que a equipa podia ter feito mais. Mas passa o domingo e na segunda-feira estamos cá para treinar outra vez.
E como saboreias uma vitória?
É sempre bom porque sabemos que lutamos todas para o mesmo, chegamos lá, chegamos a domingo, e é isso que nós queremos. Andamos uma semana toda a trabalhar para isso e festejamos muito. E há sempre música.
Estamos bastante motivadas, temos um bom grupo, se lutarmos todas para o mesmo, podemos fazer algo engraçado.
Mariana Oliveira
O que é que te aborrece num treino?
Quando as pessoas estão lá só por treinar, sinto que isso desmotiva e sinto que não nos faz evoluir, porque se estivermos todas e se houver mais competitividade é melhor para evoluirmos.
Jogas futebol há quanto tempo?
Há cerca de 10 anos.
O que é que o futebol te tem dado?
Principalmente boas amizades. Gosto muito de partilhar o campo com as minhas colegas. Este ano estou cá por isso. É um desporto e gosto da competitividade.
Como vês o crescimento do futebol feminino em Portugal?
Tem crescido cada vez mais. Está melhor, acho que merecemos isso, acho que temos jogadoras que são mesmo boas. Claro que comparando com o futebol masculino, há uma diferença ainda um bocadinho grande. Mas para aquilo que era antes, atualmente está muito melhor e está a crescer cada vez mais.
Há cada vez mais e melhores condições?
Também, bastante, ouve-se falar muito mais nisso. Há muitas meninas agora, de há uns tempos para cá, que querem jogar futebol e que não têm medo de o fazer. As pessoas encaram isso com mais naturalidade.
Um bom jogo é quando sinto que demos tudo, que comemos relva se for preciso. E, independentemente do resultado, mostramos o nosso melhor e não desistimos.
Há respeito pelo futebol feminino neste momento?
Principalmente para os adeptos e para quem vê de fora, não conseguem compreender essa tal diferença entre o masculino e o feminino. Então, por vezes, caem-nos um bocado em cima. Mas quem consegue compreender isso, consegue perceber que nós também estamos aqui por isso, que temos garra e que temos qualidade.

A 4.ª Divisão tem 70 equipas. Foi bem pensada e estruturada?
A nível das divisórias dos grupos, foi bem estruturada. Agora na 2.ª fase estão as melhores equipas e vai ser bem mais competitivo.
A seleção nacional vai conseguir estar no Mundial de 2027?
Acho que sim, espero que sim. Acho que temos bastante qualidade, claro que comparado com outras equipas a diferença ainda é discrepante, mas temos mais visão de jogo do que outras seleções, apesar de outras seleções serem melhores, por exemplo, no porte físico, têm outras qualidades. Mas acho que sim, acho que vamos conseguir dar luta.
Mariana, o que é, para ti, um bom jogo?
Um bom jogo é quando sinto que demos tudo, que comemos relva se for preciso. E, independentemente do resultado, mostramos o nosso melhor e não desistimos.



