Natasha Wahnon: “Comecei a jogar com rapazes, numa escolinha de futebol”

Natasha Wahnon é avançada da JuveForce, na II Divisão Nacional. Está na seleção feminina de Cabo Verde que participará pela primeira vez no Campeonato Africano das Nações. Um feito histórico. Vestir a camisola do seu país é uma honra, confessa.

Natasha Wahnon
Foto: Igor Martins

Joga com a camisola 18 na JuveForce, de Ponte de Vagos, que disputa a II Divisão Nacional. Tem experiência de Liga BPI, veio para Portugal para estudar, tem o mestrado em Biomedicina, acabou por dar o gosto ao pé no Amora. Dentro de campo, tenta manter a calma. Um bom jogo, a nível individual, é tentar dar o máximo e ajudar a equipa a ganhar. Isso, para Natasha, é um bom jogo. 

Natural de São Vicente, veste a camisola 10 da seleção de Cabo Verde desde 2021, quando foi convocada para um jogo amigável com o Senegal. Foi um sonho tornado realidade. Faz parte da equipa que garantiu a inédita presença no Campeonato Africano das Nações (CAN). Foi uma festa em Cabo Verde. Uma dupla festa, na verdade. A seleção masculina foi apurada para o Mundial. A feminina para o CAN. 

Passaste por algumas equipas em Portugal, Amora, Clube Futebol Benfica. E agora JuveForce pela primeira vez. Como está a ser a experiência?
Superou as minhas expetativas. É uma equipa que subiu esta época. Estamos a fazer um bom trajeto, conseguimos a qualificação para os oitavos de final da Taça de Portugal. 

Como foi jogar na Liga BPI, com o Amora, quando chegas a Portugal? 
Na primeira época em Portugal, joguei logo na I Divisão. Não foi assim tão bom porque acabámos por descer de divisão, mas foi uma boa experiência para mim. Era a primeira vez que estava a jogar na 1ª Divisão. Como é óbvio, é mais difícil, apanhámos equipas muito fortes, como o Benfica, por exemplo, que só via na televisão em Cabo Verde. Jogar com elas foi uma boa experiência. 

Vieste para Portugal jogar futebol? Como é que isso aconteceu? 
Na verdade, vim para estudar, depois acabei por conseguir entrar numa equipa. Vim fazer o mestrado em Biomedicina. 

Já terminaste os estudos? 
Já terminei. 

Estás a fazer alguma coisa na área?
Por enquanto, não. Só estou a jogar. 

Em Cabo Verde, começaste a jogar ainda criança? Como surge essa paixão pelo futebol? 
Sim, comecei desde criança. Comecei a jogar com rapazes, numa escolinha de futebol. Depois fui para uma equipa feminina, fui avançando, fui avançando. Desde pequena, que sempre gostei de jogar futebol. 

O mais bonito no futebol são as emoções, o que nos faz sentir, a alegria de estar dentro de campo, os desafios que temos de enfrentar 

Natasha Wahnon

O que é o mais bonito no futebol?
São as emoções, o que o futebol nos faz sentir, a alegria de estar dentro de campo, os desafios que temos de enfrentar. 

Quais as expetativas aqui na JuveForce? É possível chegar à Liga BPI?
Primeiro, queremos ir à fase de campeão. Um objetivo de cada vez. Mas acredito que sim, com confiança, com trabalho de equipa. Quem sabe? Apesar de ter muitas equipas fortes, que estão a lutar por subir, vamos fazer o nosso trabalho e dar o nosso máximo. 

Dentro de campo, como te defines enquanto jogadora? Calma ou nervosa? 
Depende bastante do jogo, de como o jogo está. Normalmente, tento manter-me calma, mas tem algumas situações que não tem como. Queremos sempre dar o nosso melhor, jogar o nosso melhor. 

Como reages a uma derrota?
Fico sempre triste, não gosto de perder. Sabemos que é futebol e que é super normal. Então temos de aceitar, esquecer rápido, e continuar a trabalhar.

Qual o maior sonho no futebol?
Ir o mais longe possível, a níveis mais profissionais. 

Apesar de ter muitas equipas fortes, que estão a lutar por subir, vamos fazer o nosso trabalho e dar o nosso máximo

Estás na seleção de Cabo Verde, estiveste no apuramento histórico para o Campeonato Africano das Nações.
Sim. 

O que sentiste quando foste chamada à seleção do teu país?? 
Era um objetivo há alguns anos. A seleção é bastante nova, só tem sete anos. O nosso primeiro objetivo era, na verdade, conseguir chegar à qualificação. Já conseguimos a qualificação. Era um sonho de todos os cabo-verdianos, pelo menos de todas as raparigas. 
Estar nessa qualificação e conseguir é um sentimento de dever cumprido. É um sonho realizado, que sempre quis. Na seleção, todas as jogadoras querem representar o país. É uma honra representar o meu país. 

Foi a primeira chamada à seleção este ano? 
Não, já tinha sido convocada em 2021. Foi a minha primeira chamada. Foi um jogo amigável contra o Senegal. Depois disso, fui sempre chamada.

Cabo Verde vibrou à séria com essa qualificação? Foi uma festa? 
Foi uma festa. Outubro foi o nosso mês. O masculino conseguiu o Mundial e nós conseguimos o CAN. Todos os cabo-verdianos estão felizes. 

Vivem muito o futebol como em Portugal?
Sim, sim. E acompanham muito o futebol português. 

Tencionas voltar para jogar em Cabo Verde? 
Por enquanto, acho que não. Porque lá o futebol feminino ainda não é uma profissão, é só amador. Então, por enquanto, vou ficando aqui. Daqui a alguns anos, posso voltar. 

Natasha, o que é, para ti, um bom jogo? 
A nível individual é tentar fazer o máximo de coisas boas, ajudar a equipa a ganhar. A nível coletivo é a equipa toda jogar no mesmo sentido, ajudarmo-nos umas às outras. Mesmo perdendo é dar o máximo em campo. Acho que isso é um bom jogo.