Catarina Rebelo tem 30 anos, jogou futebol no Cucujães, na época passada chegou ao Loureiro, clube de Oliveira de Azeméis. Começou a jogar tarde, pelos 20 anos, como avançada e já como sénior, não passou pela formação do futebol. Depois, passou para central, mas é a médio defensivo que se sente mais confortável. De qualquer forma, tem cumprido dentro de campo.
No jogo jogado, aprecia a entrega das duas equipas, bola no chão, passes. Nos treinos, os exercícios parados são o que mais a aborrece, mas sabe que são importantes, sobretudo para um plantel jovem. Na sua opinião, o futebol feminino tem evoluído de uma forma positiva em Portugal, com mais jogadoras e mais escalões de formação. Catarina joga e trabalha numa empresa de componentes de calçado.
Como começas a jogar futebol?
Precisava de fazer desporto porque sou asmática, andei no atletismo alguns anos e gostava muito de ver futebol. Já comecei muito tarde no futebol.
Começaste com que idade?
Foi em 2015, portanto há 11 anos.
Começaste a jogar com raparigas ou com rapazes?
Com raparigas. Comecei como sénior, portanto, não tenho formação de futebol.
Além de melhorar a tua saúde, o que é que o futebol te tem dado ao longo destes anos?
Faz-me aliviar o stress do dia a dia e da rotina. Tem-me dado muitas alegrias, há muito pessoal que conhecemos através de futebol, os conhecimentos que temos através de futebol.
Como defesa central, como te defines como jogadora?
Sou raçuda. Inicialmente não era, mas tive um treinador que me disse “é para ser, é para ser.” Comecei a jogar como avançada. Depois houve uma alma iluminada que decidiu que eu deveria ser central e então tenho ficado nessa posição. Não é a posição que eu mais gosto.
Porquê?
Gosto mais de jogar a médio defensiva. Já passei por várias posições, só nunca fui guarda-redes e lateral. De resto, já passei um bocadinho por tudo. A posição onde me sinto à vontade é a médio defensiva. A central, acho que tenho cumprido.
O que mais aprecias no jogo jogado?
A entrega de toda a gente, de uma equipa e da outra, e um bom jogo. Bola no chão, passe, nada de bombardear bolas.
E há alguma coisa que te aborrece no treino?
Sim, os exercícios parados. Eu acho que são essenciais, principalmente porque aqui temos um plantel jovem que não tem ainda muito conhecimento de futebol 11. E então os treinos parados têm de ser treinos táticos, têm de existir para perceber o posicionamento dentro de campo. É o que me aborrece, mas tem de ser.
Foi uma boa ideia criar a 4.ª Divisão?
Foi. Os moldes deste ano é que acho que não foram muito bem conseguidos.
Porquê?
Porque este ano só jogamos uma vez com cada equipa. Portanto, no ano passado, já terminou em março, com a taça de promoção, não fomos à subida. Este ano, no nosso campeonato, a 4.ª Divisão termina em dezembro. O nosso último jogo é a 6 de dezembro.

Temos cada vez mais jogadoras e mais escalões de formação no feminino, o que é muito positivo para a Liga BPI, que se tem tornado ainda mais competitiva”
Catarina Rebelo, central do Loureiro
A tática é importante?
Sim, e cada vez mais. O futebol tem evoluído nesse aspeto.
E como achas que o futebol feminino tem evoluído em Portugal?
Acho que tem evoluído de uma forma muito positiva. Temos cada vez mais jogadoras e mais escalões de formação no feminino, o que é muito positivo para a Liga BPI, que se tem tornado ainda mais competitiva.
Ainda há clubes muito desiguais na Liga BPI?
Cada vez mais se aproximam uns aos outros. Há mais competitividade. Quando eu comecei, não existia nada disso.
É possível uma mulher jogar futebol e viver disso?
Acho que sim. E acho que cada vez mais. Na 4.ª Divisão, já pagam a algumas jogadoras. Já é alguma motivação.
Tens referências no mundo do futebol?
Tenho. Cloé Lacasse, uma jogadora que esteve no Benfica. Teve uma evolução fantástica. Ela foi descoberta pelo Benfica, acho eu.
E porquê Cloé Lacasse?
Pela entrega dela, foi muito positiva para Portugal e para o Benfica. Evoluiu imenso e quis sempre mais.
A seleção nacional será apurada para o Mundial?
Sim, acho que sim. Acho que temos muita qualidade em Portugal.
Como lidas com as derrotas?
Como sou a mais velha da equipa, tento sempre dar um bocadinho mais de força às minhas colegas, mas vou muito chateada para casa.
E nas vitórias é uma explosão de alegria?
Sim, sim.
A mais velha da equipa e uma das capitãs. É uma responsabilidade em cima dos ombros?
Sou a terceira capitã. Fui capitã em Cucujães muitos anos. Mas aqui acho que fazia sentido serem miúdas, até porque nem ia jogar no ano passado e acabei por vir para o Loureiro. E vim um bocadinho também para dar o meu exemplo, elas é que estão a crescer, não sou eu. Para mim, é só mais um, dois anos, e termina. E quero muito deixar um exemplo positivo nelas.
E que mensagem é que lhes passas?
Que têm de continuar a querer muito, a treinar muito, apesar de, às vezes, virem um bocadinho mais chateadas, mais cansadas e aborrecidas, que têm de continuar porque elas têm capacidades para serem boas jogadoras e estão na idade disso.



