Sérgio Barreto, Lusitânia de Lourosa: “Quanto mais condições as jogadoras tiverem, mais vão evoluir”

Sérgio Barreto é o treinador do Lusitânia de Lourosa, na 4.ª Divisão, a sua segunda época no clube. Para si, o compromisso com o treino é essencial. E uma jogadora que consiga fazer duas ou três posições é sempre uma mais-valia em equipas com plantéis curtos.

Sérgio Barreto, Lourosa
Fotos: Maria João Gala/Magriça

Conhece bem a realidade do futebol feminino, esteve no Valadares Gaia na Liga BPI e com essa equipa ganhou uma super taça nacional. Esteve na Ovarense e no Feirense também. Em seu entender, é um mundo que tem tido uma evolução muito grande e que vai crescer mais ainda até porque os clubes começam a ter melhores condições para as jogadoras E se há diferenças para o futebol masculino diz que é apenas na intensidade do treino. A qualidade é igual. 

O formato dos campeonatos merece-lhe algumas observações. Considera que são poucas equipas em competição nas divisões mais acima, 70 na 4.ª e só sobe uma. O que acaba por mexer com a motivação e a gestão. Em dia de jogo, Sérgio Barreto não se senta no banco, fica em pé a dar indicações para dentro do campo sempre que é necessário. Um bom jogo, para si, é ganhar e que as jogadoras demonstrem o que treinaram durante a semana. 

A 4.ª Divisão, em que só sobe uma equipa, é difícil? 
É difícil, tivemos o Porto B nesta série, portanto… Porto B que pode incluir jogadoras da equipa A e que fica logo muito mais forte. 

Este desenho da 4.ª Divisão parece-lhe o mais correto? 
Penso que não tem sentido. Se formos fazer uma retrospetiva, por exemplo do ano passado, na 3.ª, nós perdemos dois jogos e descemos de divisão. Portanto, no ano passado, perdemos unicamente dois jogos e descemos de divisão. São muitas equipas para serem poucas a subir. Deviam dar possibilidade, às equipas que estão na 4.ª Divisão, de subirem três, quatro para haver uma maior motivação em relação à época toda porque são 70 e tal equipas e só sobe uma.  

Acaba por ser um trabalho um bocadinho inglório? 
Acaba, um bocado.

Como treinador, como é o seu método de treino? Mais tático, mais físico, as duas coisas? 
Engloba um bocadinho de tudo, sendo que tem de haver sempre uma parte lúdica no final porque é a parte do treino que elas mais gostam. De resto, fazemos todo o tipo de treino. 

Que parte lúdica é essa?
Ou alguma brincadeira, ou algum jogo, ou um desafio no final. 

Quais as qualidades que mais valoriza numa jogadora?
O compromisso com o treino é essencial. E depois ser uma jogadora que pode jogar em várias posições. Como o plantel, às vezes, é escasso, uma jogadora que faça duas ou três posições já é uma mais-valia em relação às outras. Mas o compromisso com o treino é essencial. 

Quando diz que o plantel é escasso, tem quantas jogadoras?
Tínhamos 24, duas jogadoras abandonaram, ficámos com 22, com as lesões, acaba por ficar a metade. As lesões prolongadas atrasam ainda mais as hipóteses de termos mais jogadoras disponíveis para o jogo. 

A maioria das jogadoras trabalha…
Sim, ou estudam ou trabalham. 

Como o plantel, às vezes, é escasso, uma jogadora que faça duas ou três posições é uma mais-valia.

Sérgio Barreto

Como vê o crescimento do futebol feminino? 
Nestes últimos anos, o futebol feminino tem tido uma evolução muito grande. E acho que vai evoluir ainda mais. 

E tem as condições adequadas para que esse crescimento seja robusto e sustentado? 
Sim, os clubes começam a ter boas condições. O nosso tem. Podíamos ter mais um campo para termos mais possibilidade de treinar, mas temos sempre o campo de treinos para nós. Portanto, podemos fazer o trabalho que queremos. 

Os clubes estão cada vez mais a ter melhores condições para elas. E elas merecem porque quanto mais condições elas tiverem, mais vão evoluir. 

Conhecedor do futebol feminino, vê diferenças para o masculino?
A diferença, como costumo dizer, é só na intensidade do treino. Porque na qualidade elas têm igual ao masculino. 

Em dia de jogo, consegue estar sossegado e sentado? 
Em dia de jogo, não. Não consigo. Já é meu hábito gostar de estar em pé para dar uma ou outra indicação às jogadoras e elas saberem que estamos ali para qualquer coisa que possamos fazer para as ajudar a cumprir aquilo que a gente pretende durante o jogo. 

Nunca se lida bem com as derrotas, fica sempre um bocadinho de azia, mas também sabemos respeitá-las. Quando o adversário é superior a nós, não há nada a fazer.

Como é que lida com as derrotas?
Nunca se lida bem com as derrotas, fica sempre um bocadinho de azia, mas também sabemos respeitar as derrotas. Quando o adversário é superior a nós, acho que não há nada a fazer.

Esteve na Liga BPI, como a vê neste momento, está competitiva com 10 equipas?
Dez equipas, é pouco. Acho que devia estar com mais equipas, pelo menos as 12 como estava anteriormente porque senão o grupo fica muito restrito. Apesar de sabermos que as equipas grandes, quando jogam contra as equipas pequeninas, há uma décalage muito grande, mas assim as equipas pequeninas não têm objetivo de chegar lá. Portanto, ter 12 equipas, como quando eu estive lá tinha, acho que era o ideal. 

Míster, o que é, para si, um bom jogo? 
Um bom jogo é ganhar. O que nós também gostamos de ver no jogo é que as jogadoras consigam explanar aquilo que treinamos ao longo da semana para chegar ao jogo e sermos mais fortes do que o adversário. O objetivo máximo é ganhar o jogo. É esse é o principal objetivo.