Jogou no Lusitânia de Lourosa, saiu para o Futebol Clube do Porto, e voltou ao Lourosa. E realizou o sonho de vestir a camisola azul e branca do clube do seu coração. De marcar e de ser campeã nacional da 3.ª Divisão. Agora, aos 27 anos, não pensa no futuro, vive um dia de cada vez, só quer ser feliz a fazer o que gosta.
Acredita que a equipa tem condições para subir de divisão, os treinos são intensos, o grupo preparou-se para a fase de subida. Su não aprecia as paragens, a queima de tempo nos jogos. Nas derrotas, fica-lhe aquele travo amargo de que poderia ter feito mais, mas levanta a cabeça e pensa no próximo jogo. O futebol feminino está a evoluir, mas pode crescer muito mais, comenta.
Jogaste no Porto e depois vieste diretamente para aqui, para a equipa do Lourosa?
Eu estive aqui, fui para o Porto, e voltei.
Voltas, portanto, a uma casa que já conheces. Como é que está a ser a experiência esta temporada?
Está a ser boa. Voltei para a beira de pessoas que me ajudaram a concretizar um sonho, que foi representar o Porto, que é o clube do meu coração. E tive uma experiência única. Para mim, depois de ter estado lá, acho que só fazia sentido voltar para um sítio para estar feliz e com as pessoas que eu gosto.
A equipa está agora na fase de subida da 4.º Divisão. Acreditas que é possível subir?
Sim, claro, nós temos essa vontade. Vamos lutar, por muito que seja complicado, vamos dar tudo de nós em cada jogo e tudo pode acontecer.
O treinador tem feito treinos mais intensos para preparar a equipa para essa nova fase?
Sim, ele puxa por nós em todos os treinos. Ainda agora vamos ter mais um treino puxado para preparar a próxima fase.
O que é que aprecias no jogo jogado?
Sou uma pessoa que gosta muito de correr, de desmarcações, diagonais, então eu estou sempre à procura disso. Para mim, o estilo que eu gosto mais é jogar simples e bola na desmarcação.
E o que é que te aborrece num jogo?
Queimar tempo, aquelas paragens.
Como lidas com uma derrota?
Não é fácil. Ficamos tristes e fico sempre com o sentimento de que poderia ter feito mais, que falhou alguma coisa. Mas é saber lidar, pensar logo no próximo jogo, e fazer melhor.
Gostas de ter sempre a bola no pé ou também sabes posicionar-te em campo?
As duas coisas.
Quando representei o FC Porto, o meu sonho foi realizado. Agora é ser só feliz
Susana Rocha
Com que idade começaste a jogar futebol?
Com 13 anos.
E como surgiu essa vontade de jogar à bola?
Sempre tive essa vontade. Surgiu na escola, sempre joguei, e depois surgiu a oportunidade e nunca mais parei até agora.

A tua família compreendeu esse teu gosto, essa tua vontade?
Sim, estão sempre a ver, vêm sempre apoiar-me, tanto a mim como ao meu irmão que também joga. Estão sempre presentes e sempre nos apoiaram muito, seja a mim, seja a ele.
O futebol feminino tem tido boas condições para crescer?
Sim, acho que evoluiu muito, ainda pode evoluir muito mais, mas acho que já deu um grande passo.
A seleção nacional vai estar no Mundial?
Acho que sim.
Tens alguma referência no futebol feminino?
Não, não é uma coisa em que me foco muito. Acho que todas têm muita qualidade e todas as que estão na seleção têm o seu mérito por estar lá.
O futebol feminino evoluiu muito, ainda pode evoluir muito mais, mas já deu um grande passo
Só jogas ou também estudas?
Só jogo.
Qual é o teu sonho no futebol?
Já realizei. Quando representei o Porto, o meu sonho foi realizado. Agora é ser só feliz.
Na tua opinião, a entrada do Porto veio mexer com o futebol feminino?
Sim, acho que ficou tudo de boca aberta. E saber que fui uma das sortudas que teve a oportunidade de passar por lá e vestir aquela camisola, ser campeã nacional. Viver tudo aquilo e marcar pelo clube do meu coração é algo que ficou muito presente em mim e só posso estar agradecida.
Pensas no futuro, onde estará daqui a 5 ou 10 anos no futebol, ou vives um dia de cada vez?
Agora vivo um dia de cada vez. Para mim, o importante é estar feliz.
Su, o que é, para ti, um bom jogo?
É um jogo equilibrado, com raça, bem disputado para ambas as equipas, que tudo fazem para vencer. Um jogo com entrega.



