Tânia Costa: “Gosto muito de correr e tento ajudar a equipa a atacar e a defender”

Tânia Costa joga no meio-campo do Tirsense, na 2.ª Divisão, é uma das capitãs da equipa que está na luta pela manutenção. Começou a jogar aos 14 anos com Carole Costa do Benfica, no Martim, ao pé de casa. É com orgulho que acompanha o percurso da colega com quem deu os primeiros chutos na bola.

Tânia Costa, Tirsense
Fotos: Maria João Gala

Tem 36 anos e uma larga experiência no futebol, já jogou na Liga BPI. Esta é a sua terceira época no Tirsense. Lesionou-se na pré-época, partiu um braço num jogo de treino, esteve cinco meses afastada dos relvados, está de volta agora. Admite que o grupo da 2.ª fase é complicado e que a 2.ª Divisão está muito forte. Seja como for, garante que a equipa vai dar tudo. 

Joga com o número 19 na camisola, o dia em que os pais casaram, mãe e pai que sempre a apoiaram quando decidiu jogar futebol. Nessa altura, jogava em campos de terra e com jogadoras bem mais velhas. Eram outros tempos. Dentro de campo, é muito ativa, bola no pé, bola para colegas, para correrem e marcarem golos. 

Jogas no meio-campo. É a posição de que mais gostas? 
É a posição que eu gosto. 

Já jogaste noutras posições?
Sempre joguei no meio-campo.

E com que número na camisola? 
Número 19. 

O 19 tem algum significado? 
Foi o dia em que os meus pais casaram. Como não tinha um número para escolher, comecei com o 19 e fui sempre o 19. 

Sempre a sorte de ter o 19? 
Sempre. 

O Tirsense está agora na luta para a manutenção e o grupo é complicado. Quais as expectativas? 
Temos um grupo complicado, a 2.ª Divisão está muito forte, mas estamos aqui para a luta. No que depender de nós, vamos fazer tudo para conseguir a manutenção. Não vai ser fácil, mas vamos fazer tudo para conseguir. Temos de ficar na 2.ª. 

A equipa está unida? O ambiente do balneário está bom? 
Está bom, o ambiente está bom. Foi complicado, atravessámos uma fase de derrotas, nunca é fácil. Mas acho que começámos bem a 2.ª fase e agora é continuar. 

Tânia Costa, Tirsense

Dentro de campo, como és como jogadora? 
Sou muito ativa, gosto muito de correr. Tento ajudar ao máximo a equipa a atacar, a defender. Gosto de jogar, é muito isso, gosto de jogar à bola. 

Bola no pé? 
Bola no pé, bola para as minhas colegas, para elas correrem também e marcarem golos. 

Bola no pé, bola para as minhas colegas, para elas correrem também e marcarem golos

Tânia Costa

Ser capitã é uma responsabilidade acrescida? Sentes isso? 
É uma responsabilidade acrescida, mas quando tenho colegas como as minhas, torna-se mais fácil. Tenho de mandar um bocadinho nelas também, puxar um bocadinho por elas, mas torna-se fácil.

A tua experiência é significativa e ajuda. Sentes que há esse respeito pelo percurso que tens no futebol?
Sim, acabei também por ser capitã no Varzim, foi um contexto diferente, uma Liga BPI. Acho que trouxe alguma bagagem e acaba por se tornar mais fácil ser capitã desta equipa. 

Tens 36 anos, começaste a jogar com que idade? 
Com 14. 

E era fácil, nessa altura?
Não era fácil. Comecei a jogar com a Carole do Benfica, jogávamos as duas no Martim, e não era fácil. Jogávamos em campos de terra, jogávamos com pessoas muito mais velhas do que nós. Agora é tudo muito mais fácil do que era dantes, sem dúvida. 

A Carole está no Benfica, na seleção, é um motivo de orgulho para ti? 
Claro. A Carole cresceu ali, depois deu o salto, e é muito bom vê-la conquistar o que tem conquistado. 

Acompanhas o seu percurso, vês a seleção? 
Sim, tudo. 

Quando começaste, tiveste o apoio dos teus pais, da tua família? 
Sim. 

Não foi um bocadinho estranho, na altura?
Não, tive sempre o apoio dos meus pais, eles acompanharam-me sempre. Ultimamente já não, o meu pai tem problemas de coração, acabam por não estar tão presentes. Mas sempre me apoiaram e é um orgulho para eles, isso eu sei. 

Como vês a evolução do futebol feminino? 
Foi uma evolução enorme. A única equipa que eu tinha para jogar era aquela, era o Martim, era mais perto de casa. Agora há muito mais condições, muitas mais equipas, é tudo muito mais simples. 

Tinha muitos sonhos no futebol, mas com esta idade quero é divertir-me e aproveitar ao máximo

Quais as tuas referências no futebol feminino? 
Gosto muito da Dolores, por partilharmos a mesma posição em campo, então acaba por ser uma referência, na seleção portuguesa. Gosto da Aitana do Barcelona. Tenho várias. 

Como lidas com uma derrota? 
Não é fácil, mas também não podemos ficar sempre a pensar nisso. É ver onde é que errámos e tentar corrigir logo no próximo jogo. Não adianta ficar a pensar perdi, perdi, perdi. É ver, falhámos aqui, falhámos ali, vamos corrigir. E tentar ganhar no próximo. 

Tânia Costa, Tirsense

Como lidas com as jogadoras mais novas? Tens algum tipo de sensibilidade com elas?
Eu gosto muito delas, não são minhas filhas, mas são as nossas meninas. Tentámos ajudá-las ao máximo, há muitas muito mais novas do que eu. É tentar apoiá-las e também mostrar-lhes que, dentro de campo, somos todas iguais. É um bocado isso. 

E ouvir o que o míster diz? 
Fazê-las ouvir, às vezes, estão um bocadinho distraídas, estão a viajar, mas é fácil lidar com elas. 

Só jogas futebol?
Não, eu trabalho na reposição de uma cantina, de noite, depois dos treinos. 

Não é bastante puxado jogar e trabalhar? 
É, mas tem de ser. Não é fácil arranjar horários para se treinar às 19h, 19h30, nem todos os trabalhos o permitem. E como não somos profissionais, não vivemos disto sequer. Apesar de estarmos na 2.ª divisão, não vivemos disto. Então acaba por ser difícil arranjar um trabalho em que se consiga conciliar com tudo. 

Tu tens algum sonho no futebol? 
Tinha muitos, mas com esta idade quero é divertir-me e aproveitar ao máximo. 

Tânia, o que é, para ti, um bom jogo? 
Enquanto espetadora, é um jogo com muitos golos. Enquanto jogadora, é um jogo em que defendemos bem, atacamos bem. Podemos ganhar só 1-0, desde que seja bem jogado, é um bom jogo.