Raquel Varajão tem 21 anos, joga futebol e estuda Ciências do Desporto na Universidade de Coimbra. Já jogou a lateral, já jogou no meio-campo, mas a posição onde se sente mais confortável é como central. Sofreu uma lesão, foi operada ao joelho, esteve sete meses sem jogar. Recuperou, voltou a jogar, a ganhar confiança. Fintar o medo é complicado, é preciso persistência física e resistência mental. Conseguiu com o apoio da família, dos amigos, da Académica.
Na época passada, jogou com o número 4 nas costas e ser titular deu-lhe confiança. O seu sonho no futebol é voltar aos grandes relvados. Acredita que a seleção nacional vai estar no Mundial do Brasil em 2027. Vê talento e vê trabalho. “Acho que não é impossível e acho que elas conseguem”, refere.
Sempre jogaste a central?
Já joguei a lateral, já joguei no meio-campo, mas a posição de conforto é central.
O que é que a experiência de Liga BPI te dá numa equipa como a Académica?
Estou mais à vontade, não sinto tanta pressão. Na Liga BPI, eu entrava e estava a jogar contra grandes jogadoras. Aqui posso dar mais confiança às minhas colegas, estou mais à vontade e sem pressões.
E como está a ser experiência na Académica?
Vinha de uma lesão, a Académica acolheu-me, fui operada. É bom estar aqui para ganhar confiança, tentar voltar aos altos níveis como já estava habituada.
Foi uma lesão complicada?
Sim, uma operação ao joelho.
Quanto tempo é que estiveste fora dos relvados?
Sete meses.
É preciso resiliência e fibra para continuar a acreditar?
Sim e a Académica deu-me essa confiança, voltou a pôr-me os sonhos em dia, por assim dizer.

Uma lesão é um dos maiores medos de uma jogadora. Como é que não se desiste? Como é que se continua com este sonho?
Para mim, foi muito pelo apoio da minha família. Tive a lesão na altura do verão, ou seja, ainda não tinha clube, acabei por não continuar no Clube de Albergaria. E a minha família ajudou-me muito porque, na minha cabeça, achava que já não ia dar mais. Depois entrou a Académica, a querer que eu viesse para cá, ajudou-me muito na recuperação. Foi por aí, com o apoio dos meus amigos e da minha família.
É preciso capacidade mental para não desistir?
E perder o medo porque há sempre aquele medo. Por vezes, ainda o sinto.
A Académica deu-me confiança, voltou a pôr-me os sonhos em dia.
Raquel Varajão, Académica
Como te defines como jogadora, como central, neste momento?
Sou persistente. Quando erro, não baixo a cabeça, tento acertar o próximo passo, ganhar confiança.
Tens sido titular. Isso dá-te confiança?
Sim, claro. Marcar golos dá confiança, jogar bem dá confiança, ter os meus pais na bancada dá-me sempre mais confiança.
Trabalhar num contexto de vitórias é mais fácil, mas também significa maiores responsabilidades?
Sim. Entramos sempre para ganhar e todas as jogadoras sabem disso, têm isso em mente.
As palestras do míster são importantes para o grupo?
Sim, para percebermos o que temos de fazer em campo. São sempre importantes e dá sempre para aprender mais qualquer coisa.
A criação de uma 4.ª Divisão foi uma boa ideia?
Honestamente, não acho. Acho que não faz sentido termos uma Liga BPI com tão poucas equipas, com tão poucos jogos ao longo de uma época. Começa-se em cima e isso depois vem para baixo. Não acho que faça sentido uma 4.ª Divisão em que a competitividade não é muita.
A Académica tem uma forte massa associativa? Esse apoio sente-se dentro de campo?
Sente-se muito.
De que forma? Eles puxam por vocês, acompanham-vos?
Em todos os momentos do jogo. Quando estamos num momento de mais nervosismo, sentimos o apoio da bancada. Marcamos um golo e sentimos que está muita gente a festejar.

Marcar golos dá confiança, jogar bem dá confiança, ter os meus pais na bancada dá-me sempre mais confiança.
Como é que festejas uma vitória?
Normal. Não faço grandes festejos, foco-me sempre no próximo jogo, na próxima semana de treinos.
Como é que começaste a jogar futebol?
Comecei a jogar a ver o meu irmão. Na altura, ele entrou no futebol, eu ia ver sempre os treinos dele, ia ver os jogos dele. Na minha cabeça, eu queria ser como ele e foi por aí que comecei a jogar. Na altura, era a minha inspiração e acho que sempre foi.
E agora tens algumas referências no mundo do futebol?
Tenho. Sempre gostei muito da Carole, gosto muito da Kika. No masculino, gosto muito do Rubén Dias.
Qual é o teu sonho no futebol?
É voltar aos grandes relvados, é voltar à seleção, voltar à Liga BPI.
A seleção nacional está no apuramento para o Mundial. Acreditas que a equipa estará no Brasil em 2027?
Acho que nada é impossível. O foco está no trabalho. Acho que não é impossível e acho que elas conseguem.



