Tem experiência da Liga BPI e da seleção nacional Sub-23 e isso sente-se no campo, nos jogos, nos treinos, no compromisso. É uma avançada com faro de golo que gosta de ter bola no pé e finalizar. Jogou numa 2.ª Divisão bastante competitiva, na sua opinião. Tem 24 anos e veste a camisola 6, dia do seu aniversário. Um bom jogo, para si, não é ganhar, é a equipa saber meter a bola no chão e rodar de um lado para o outro.
Xana começou a jogar futebol com 12 anos numa equipa de rapazes. Aconselha meninas e raparigas a jogar à bola com rapazes porque ganha-se outra endurance, outra maturidade, perde-se o medo de ir ao choque. Chegar à principal seleção nacional e conhecer Cristiano Ronaldo são os seus maiores sonhos. Vê jogos de futebol, sobretudo masculinos, e acompanha partidas das seleções.
É um regresso à Juveforce.
Sim, foi uma decisão difícil, mas estou cá para ajudar.
Saíste do Clube Albergaria que tinha descido para a 2.ª Divisão e passas para a mesma divisão.
Sim. Não foi por não ter propostas da 1.ª, mas uma vez que mantinha a mesma divisão, ficava-me mais perto vir para a Juveforce.

Uma 2.ª Divisão bastante competitiva?
Sim, tanto no Norte, como no Sul, talvez mais competitiva no Norte.
A tua experiência de Liga BPI faz alguma diferença numa 2.ª Divisão?
Muita. Tanto a nível de jogo, como nos treinos.
Muita intensidade?
É muito diferente, em muitos aspetos. O compromisso das atletas é o primeiro ponto e dentro de campo é muito diferente.
A tua experiência na seleção também te dá algum arcabouço?
Sim, também.
És uma avançada com faro de golo?
Dizem que sim.
O que mais aprecias no jogo jogado?
Eu gosto de meter a bola no chão e fazer jogar. Não gosto de bombear bolas. Gosto de fazer jogar e meter aquelas bolas lá mesmo no sítio para finalizar. E fazer golos, claro.
Gosto de meter a bola no chão e fazer jogar. Não gosto de bombear bolas. E fazer golos, claro.
Xana
Quando começas a jogar futebol?
Comecei bastante tarde para os dias de hoje, comecei com 12 anos, comecei no masculino. Retardei a entrada no feminino. A Juveforce criou, entretanto, o feminino, fomos nós que criámos o feminino, e foi aí que eu entrei. Não foi por opção porque se eu pudesse todas as meninas continuavam no masculino até poderem. Acho que me fez muito bem. E faria a todas porque ganham uma força maior. Fazia bem a todas as meninas fazerem um percurso com os rapazes, não entraram logo no feminino.

Porquê? O que se ganha? Perde-se o medo de ir ao choque?
Também. Jogar contra rapazes é diferente, perde-se o medo.
Como tens acompanhado o crescimento do futebol feminino em Portugal?
Quando eu comecei, não tínhamos câmaras, não tínhamos vídeo árbitro, e agora temos tudo. O futebol feminino basicamente tem tudo, só não tem salários como os homens. De resto, tem tudo.
O que é que futebol te tem dado?
Experiência profissional, muita experiência. Mas faço outra coisa para além do futebol.
Fazia bem a todas as meninas fazerem um percurso com os rapazes, não entraram logo no feminino.
Xana
O que fazes além de jogar futebol?
Tenho uma loja de informática.
Também treinas os Benjamins B, meninos de 9 anos. É primeira vez que estás a treinar?
Eu já tinha treinado, mas como fui para Albergaria não dava para conciliar.
Gostas dessa parte de treinar?
Sim, adoro. Eu gosto que eles me respeitem por ser jogadora. Eles sentem isso e também querem ser como a míster Xana. É engraçado.
Qual é o teu maior sonho no futebol?
Idealmente, chegar à seleção A. E conhecer o Ronaldo.

É a tua maior referência no futebol?
Sim. Ronaldo e depois é o Mbappé.
Vês jogos fora daqui, acompanhas os jogos da seleção?
Futebol feminino, pouco, vejo muito mais futebol masculino. É diferente, gosto mais. Mas sim, vejo futebol, por exemplo, vejo o PSG, tem o João Neves. E vejo quase todas as seleções. Acompanho o futebol diariamente.
Xana, o que é, para ti, um bom jogo?
Um bom jogo para mim é muito difícil porque sou muito exigente até comigo mesma. Um bom jogo não é ganhar, nem é fazer golos. É a equipa saber meter a bola no chão, a equipa rodar de um lado para o outro, não é a equipa ganhar. Para mim, ganhar ou perder não é fazer um bom jogo.



