Barbosinha: “A nossa expectativa está alta e é assim que tem de estar”

Beatriz Barbosa joga no Valadares Gaia, na Liga BPI, é lateral, adianta que a equipa está preparada para os jogos que se avizinham. O número 78, que traz nas costas da camisola, tem uma história que envolve o irmão e dois tios da parte da mãe. Um bom jogo, para si, tem de ter paixão dentro de campo.

Beatriz Barbosa, Valadares
Foto: Igor Martins

O futebol é a sua vida e o seu maior sonho é vestir a camisola da seleção principal, representar Portugal em competições internacionais. Quer muito lá estar e trabalha todos os dias para que isso aconteça. Beatriz Barbosa, Barbosinha como é conhecida, é uma jogadora agressiva, que gosta do contacto físico. Lateral é a posição onde se sente mais confortável. 

O Valadares Gaia está numa boa fase, nos lugares cimeiros da Liga BPI, a mostrar o que vale. Barbosinha conta que o clube tem dado as melhores condições às jogadoras. “Sabemos que vêm aí jogos muito complicados, fases complicadas com vários jogos seguidos, mas estamos preparadas”, garante. 

Camisola 78. Esse número tem algum significado? 
Tem. Na altura, o meu irmão jogava futebol na Escola Hernâni Gonçalves e era o 78. É uma história engraçada porque os meus tios, da parte da minha mãe, irmãos da minha mãe, jogavam futebol e um era o 7 e o outro era o 8, então decidimos juntar o número e ficou o 78. É um número muito especial. 

Sempre jogaste como lateral?
Não, já joguei a extremo. Na altura, quando comecei a jogar, era avançada. Depois, com o passar do tempo, fui passando por várias posições e aqui, no Valadares, estou a lateral. 

Lateral é a tua posição natural? 
Acho que sim, é a posição onde me sinto mais confortável a jogar. Posso passar por outras posições, mas lateral, sem dúvida, é a posição onde me sinto mais confortável e mais confiante. 

Estiveste noutros clubes, no Braga, mas não em muitos.
Comecei a minha carreira no Hernâni Gonçalves, onde estive três épocas. Depois passei para o Braga, onde estive três épocas também. 

Nas seniores?
Sim, no último ano, estava na equipa sénior, onde tive a oportunidade de crescer e onde comecei na Liga BPI e dei continuidade. Depois fui para o Varzim, onde continuei na Liga BPI. Estou no Valadares há quatro anos, onde estou muito feliz. 

Como está a ser experiência?
Está a ser ótima. Ao longo dos anos, o Valadares tem vindo a crescer muito, tem-nos dado as melhores condições para crescermos e acho que isso é, sem dúvida, o mais importante. Fazem tudo para que a jogadora esteja nas melhores condições possíveis, tanto a nível pessoal, como profissional. E isso, de facto, é muito cativante para uma jogadora que pertence ao Valadares. 

Posso passar por outras posições, mas lateral, sem dúvida, é a posição onde me sinto mais confortável e mais confiante

Barbosinha

Quais as expectativas para esta época? Terminar nos lugares cimeiros? 
Sim, a nossa expectativa está alta e é assim que tem de estar. Claro que temos sempre os pés assentes na terra, fazemos o nosso trabalho, o nosso objetivo é fazer o melhor que conseguimos e ficar no lugar onde merecemos estar, que é na Liga BPI. 

O que mais aprecias no jogo jogado? 
A nível pessoal, sinto que sou uma jogadora muito agressiva, gosto muito do contacto físico, sinto que essa é uma característica boa que tenho. 
A nível geral, no fundo, é o jogo, é o futebol. O futebol faz-nos ter muita paixão, tanto a nível coletivo, como enquanto jogadora individual. Acho que faz o jogo ser apaixonante. 

Beatriz Barbosa, Valadares

A equipa está unida, há um bom ambiente no balneário? 
Sim, sente-se isso. Ao longo destes jogos, tem-se sentido isso, nota-se que a equipa está unida, está preparada para o que aí vem. Sabemos que vêm aí jogos muito complicados, fases complicadas com vários jogos seguidos, mas estamos preparadas para isso mesmo. 

Fazes outras coisas ou só jogas futebol? 
Só jogo futebol. A partir do momento em que fui para o Braga, senti que era isto mesmo que eu queria. E, lá está, o Valadares também me dá as melhores condições para que isso seja possível. Só faço isto a nível profissional e, de resto, descanso o máximo possível para que esteja pronta no dia a seguir para trabalhar. 

Ouvir o treinador faz parte e sou uma boa ouvinte para que possa aprender ainda mais

Qual é o teu maior sonho no futebol?
O meu maior sonho é estar presente, é representar a seleção nacional, a equipa principal. É esse o grande objetivo, tanto meu como de tantas outras jogadoras. Quero muito lá estar e trabalho todos os dias para que isso, um dia, seja possível. 

O que é que te aborrece no mundo do futebol?
Ao longo dos anos, o futebol feminino tem vindo a crescer, mas acho que pode e vai crescer ainda mais. Lá está, são pequenas coisas que, aos bocadinhos, estamos a conquistar, acho que é muito por aí. 
Não tenho uma coisa, em específico, que possa dizer que me aborreça. São pequenas coisas que, ao longo do tempo, o futebol feminino está a conquistar para que um dia seja uma grande referência em Portugal. 

Como é a tua relação com os treinadores? Ouves e digeres, falas quando tens de falar? 
Sou uma jogadora super tranquila. Ouvir o treinador faz sempre parte daquilo que a jogadora precisa. Faz parte ouvir o treinador, aceitar e trabalhar ainda mais, isso é uma característica muito boa que tenho também. Ouvir faz parte e sou uma boa ouvinte para que possa aprender ainda mais. 

Barbosinha, o que é, para ti, um bom jogo? 
Um bom jogo é a paixão que se vê dentro de campo, é a garra, é a união. A palavra é mesmo a paixão que se deixa dentro de campo até o último minuto. Se tivermos isso tudo dentro de campo, se tivermos alma principalmente, vai ser um bom jogo de certeza.