Palmela González está no Racing Power pela primeira vez na sua estreia no futebol português. Aos 19 anos, saiu do Uruguai, seu país, atravessou o Atlântico para experimentar o futebol europeu. Esteve 10 anos em Espanha, onde jogou na 1.ª Liga e encontrou o Barcelona de Kika Nazareth. Até que decidiu mudar de país e de campeonato.
Tem 30 anos, muita bola nos pés, joga no meio-campo do Racing e é capitã da seleção do Uruguai. “É uma forma de estar próxima da minha terra, do meu país, da minha gente”, conta. Garante que é uma capitã tranquila, atenta e que transmite confiança. Disciplina e consistência são as virtudes mais importantes que o futebol lhe tem dado. É o que a mantém num nível de elite. A cereja no topo do bolo seria estar no Mundial de 2027, no Brasil, com a camisola do Uruguai.
É a tua primeira época em Portugal. Como chegas ao Racing Power?
Estava a jogar em Espanha há já 10 anos, nos últimos anos no Sevilha. Estava numa altura em que me apetecia experimentar outro país, outra Liga, e surgiu esta proposta do Racing Power.
Como está a ser experiência?
Boa. A minha vida não mudou assim tanto. Sevilha está perto de Portugal, mantenho as minhas amizades lá. E está a ser uma boa experiência. Era uma Liga que não conhecia.
É uma Liga competitiva?
É competitiva. Sabemos que o Benfica e o Sporting normalmente são os que estão lá em cima, e o que é bom é que todas os outras equipas têm a possibilidade de ficar lá em cima também. Está a ser uma Liga competitiva.
Para mim, está a ser uma experiência top, estou a gostar, mesmo da vida, das pessoas, do clima.
Nasci no Uruguai, cheguei a Espanha com 19 anos, surgiu a oportunidade de jogar futebol no Málaga, e estive 10 anos em Espanha até que surgiu esta proposta de vir para aqui.
Quais expectativas para esta época com o Racing?
Ficar o mais acima possível. Pessoalmente, ganhar experiência nesta Liga que, para mim, é nova. É uma experiência nova para mim, mas, na verdade, não me custou a adaptar. Também tive sorte que o grupo e a equipa me ajudaram nesse sentido. O objetivo é ganhar o maior número de jogos, acumular o maior número de pontos e ficar o melhor possível na tabela classificativa.
Jogar futebol sempre foi a tua paixão?
Sempre, sempre, sempre. Saí de casa e cruzei o oceano com 19 anos, já tenho 30. Sempre foi a minha paixão. Tinha o sonho de vir jogar para a Europa e a minha família sempre me apoiou. Então, foi mais fácil para mim. Na verdade, nestes anos, o futebol para mim é tudo, tudo, tudo. E estou muito agradecida por toda a experiência que, em todo esse tempo, pude viver.
Como és dentro de campo?
Caracterizo-me por ser intensa. Tenho raízes e venho de um tipo de futebol mais aguerrido, mais intenso, agressivo de uma boa maneira. Sou uma jogadora agressiva, intensa, gosto de ocupar a maior parte do centro do campo As minhas virtudes são estas.
Como reages às derrotas?
Com o passar do tempo, e a experiência dá maturidade, reajo melhor. Antigamente, há uns anos, provavelmente reagia pior do que agora. Também tenho uma idade, uma experiência que permite dizer, ok, perdemos, mas fizemos um bom jogo e aprendemos alguma coisa com isso. Gosto de analisar os jogos, mesmo na derrota. Na derrota dá para ver muito mais as coisas que temos de melhorar.
Saí de casa e cruzei o oceano com 19 anos, já tenho 30. O futebol sempre foi a minha paixão. Tinha o sonho de vir jogar para a Europa e a minha família sempre me apoiou.
Pamela González
Na época passada, estavas na Liga F. Jogaste contra a Kika?
Claro. Na época passada, a Kika já estava no Barcelona e joguei contra ela.
Tens referências e inspirações no mundo do futebol?
Agora, as meninas têm referências femininas. Quando comecei, não tinha referência feminina. Só tinha a Marta. E é verdade que na América do Sul é uma referência muito importante. Posso dizer que a Marta foi uma referência no início, tanto para mim como para a jogadora sul-americana.
O que é que o futebol te tem dado?
Imensa experiência, muita disciplina, consistência. Joguei 10 anos em Espanha, seis na 1.ª Divisão, e não é fácil, não é fácil manter-se aí. Dá-me, sobretudo, consistência, força e disciplina que é uma das coisas mais importantes que o futebol dá. É preciso ser muito disciplinada para permanecer tantos anos a jogar num nível de elite.

E a um alto nível, és capitã da seleção do Uruguai.
Atualmente, sou a capitã da seleção do Uruguai. Estamos a jogar a classificação para o Mundial.
Como está a correr?
Bem, na América do Sul são 10 seleções, enfrentamo-nos todas contra todas, um jogo só, duas sobem diretas para o Mundial, duas vão a play-off. Ainda temos possibilidade de, pelo menos, chegar ao play-off. Em abril, temos três jogos que contam para a classificação.
Ser capitã de uma seleção é uma enorme responsabilidade?
Sim, é uma responsabilidade e sobretudo um orgulho. É uma forma de estar próxima da minha terra, do meu país, da minha gente. Considero-me uma pessoa muito patriota. Nesta altura, já tenho dupla nacionalidade, mas quando me perguntam de onde sou, respondo: ‘sou uruguaia, eu sou do Uruguai’. Para mim, representar o meu país é top, é a coisa maior que podia conquistar nestes anos.
É preciso ser muito disciplinada para permanecer tantos anos a jogar num nível de elite.
Como és como capitã? Tranquila ou sempre em cima das tuas colegas?
Considero-me uma capitã tranquila, também estou em cima das minhas colegas, mas de uma maneira a transmitir confiança, em diálogo. Não sou muito de falar, mas sinto-me uma referência para as minhas colegas, gosto de transmitir a minha experiência.
Com essa experiência de capitã de uma seleção, o que transmites às jogadoras mais novas?
Primeiro, que aproveitem esta altura do futebol feminino, estamos numa altura boa. O futebol feminino está a crescer imenso.
A nível global?
A nível global. Obviamente, noto diferenças entre o futebol sul-americano com o da Europa. Na Europa, o futebol está mais avançado. Na América do Sul, aos pouquitos, também vai avançando. Quando eu comecei, não tínhamos nem as possibilidades nem as condições que hoje existem. Temos de continuar a crescer, temos de continuar a fazer com que tanto as marcas, como a Federação, acompanhem. Valorizo muito este crescimento ao longo deste tempo.
Começaste a jogar com rapazes?
Sim, quando comecei nem sequer tinha a possibilidade de jogar com meninas. Hoje já não é assim. Tenho uma irmã de nove anos que começou a jogar agora e que tem a possibilidade de jogar com meninas. Então comparo as possibilidades que tinha quando tinha essa idade com as possibilidades que minha irmã tem agora, e penso que sorte.
A tua irmã joga no Uruguai?
No Uruguai. A minha família está toda no Uruguai. Então, quando vou jogar com a seleção é uma possibilidade de ver a minha família. Também aproveito muito isso, de poder ir ao meu país e passar tempo com a minha família.
Já cumpriste muitos objetivos no futebol. Ainda tens algum sonho por concretizar?
Sim, o sonho maior é jogar o Mundial com a seleção. Seria a cereja no topo do bolo, seria uma maneira de alcançar todos os meus sonhos no mundo do futebol. É uma coisa que desejo imensamente e espero ter a sorte e a possibilidade de conseguir concretizá-lo.



