Aos 12 anos, começou a jogar futebol numa equipa feminina sénior em Penafiel. Nessa altura, não havia escalões de formação. Ainda chegou a dar uma perninha no futsal, por questões profissionais, para não deixar de jogar. É uma ponta de lança que passa a bola e uma voz de comando dentro do campo, quando é necessário. Prefere o jogo apoiado, construído de trás para a frente, até chegar à baliza adversária.
Passou por vários clubes, tem bastante experiência, joga agora com o número 18 nas costas da equipa do Amora. Se pudesse mudar alguma coisa, colocava a questão dos apoios financeiros, e não só, em cima da mesa. Condições de ginásio, de balneário, de horários de treinos. Até porque, sublinha, tudo isso conta para a evolução das jogadoras. Acredita que a seleção nacional estará no Mundial de 2027. E vê o futebol feminino a crescer aos poucos.
A tua vasta experiência, jogaste no Estoril Praia, Valadares, Torreense, Famalicão, Ovarense, é uma vantagem e uma mais-valia para a equipa do Amora?
É uma mais-valia e uma vantagem em relação à equipa em que jogo neste momento, são mais miúdas. Então acho que a minha experiência as ajuda a evoluir. É mais por aí.
Sentes o peso da responsabilidade de seres capitã? Vês como está o ambiente no balneário? Como te comportas nessa posição?
Sou uma capitã muito pacata. É verdade. Tento ajudar ao máximo no que puder, mas não sou das mais rígidas. Para isso, há outras capitãs.
És a mais mole?
Se calhar, sou a mais mole.
E dentro de campo, és uma voz de comando?
Tento falar imenso com a equipa dentro de campo. Tento ajudar, tento falar, e proteger a equipa ao máximo.
Como te defines como jogadora?
Sou jogadora de equipa, trabalho muito para a equipa. Essa é a minha melhor definição.
Não és uma avançada que só vê baliza e quer marcar?
Pelo contrário.
Uma ponta de lança não egoísta?
Perdi o egoísmo. Se vejo que há uma jogadora melhor posicionada para fazer o golo, não tenho de ser eu a fazer o golo, logo que haja golo. É esse o meu pensamento.
E os treinadores não te chateiam por causa disso?
Um bocado. Às vezes, há momentos em que posso e devo fazer golo e não o faço, tento sempre procurar alguém que esteja melhor posicionado.
Portanto, altruísta dentro do campo.
Sim, um bocado de mais.

O que aprecias no jogo jogado?
Prefiro o jogo jogado em si, do que propriamente o jogo direto e bolas na profundidade. Prefiro jogar sempre com o jogo apoiado, de trás para a frente, até chegar ao objetivo. Por vezes, não acontece, mas é o jogo que prefiro em campo.
A equipa está na luta pela manutenção na 2.ª Divisão. Como está o balneário?
Estamos a dar o nosso melhor para conseguir o objetivo, sabemos que é muito difícil. Neste momento, temos o balneário unido e a trabalhar para isso, para que não ocorra uma descida de divisão.
Prefiro o jogo jogado em si, do que propriamente o jogo direto e bolas na profundidade. Prefiro jogar sempre com o jogo apoiado, de trás para a frente, até chegar ao objetivo.
Rocha, Amora
Começaste a jogar com que idade?
Comecei no futebol muito amador, com 12 anos, com seniores. Na altura, não havia escalões de formação, não havia nada desse género.
Com raparigas?
Sim, com raparigas. Na zona de Penafiel, tínhamos imensas equipas, por acaso. Era um concelho que tinha muitas equipas e havia muita rivalidade entre elas.
No teu percurso, tens vários clubes. O futebol feminino ainda é marcado pela instabilidade, ou seja, jogadoras a saltar de clube em clube?
Sinto que isso está a melhorar aos poucos. Na minha altura, tinha de ser porque nós não éramos profissionais, então jogávamos de acordo com a nossa vida pessoal, ou seja, o nosso trabalho, se éramos estudantes ou não. O que desse para conciliar era o que nós procurávamos.
Andei muito pelas equipas da Federação do Porto, inclusive futsal para não parar. Devido ao trabalho, tive de ir para o futsal para não parar de jogar. Quando consegui regressar ao futebol de 11, foi aí que surgiram essas equipas todas. Mas até lá houve muito trabalho.
Com a tua experiência, o que mudavas no futebol?
Os apoios.
Apoios financeiros?
Apoios financeiros, apoios de tudo. As condições que algumas equipas têm e outras não têm. Há, inclusive, equipas da 1.ª Divisão que têm menos condições do que, por exemplo, a equipa do Amora. Não só as condições financeiras, mas de trabalho também. Se há ginásio, se não há ginásio. Se há campo, se não há campo. As horas de treino. Isso tudo conta para a nossa evolução. É aos poucos.

O futebol feminino está a crescer bem?
Está a crescer bem aos pouquinhos. Quando se sai muito do que é o futebol, em vez de melhorarmos, parece que se regride um bocadinho. Evoluímos aos pouquinhos de cada vez.
Se há ginásio, se não há ginásio. Se há campo, se não há campo. As horas de treino. Isso tudo conta para a nossa evolução.
Acompanhas a seleção nacional?
Alguns momentos, vejo alguns jogos.
A seleção vai estar no Mundial do próximo ano?
Temos equipa para isso, temos de trabalhá-la para chegar lá. Temos jogadoras fantásticas, a jogar em equipas europeias, não só em Portugal. Se houver um bom trabalho, podemos chegar lá.
Quando começaste a jogar futebol, ter um contrato profissional era uma utopia?
Era um sonho muito longínquo.
E a tua família sempre te apoiou nesta paixão pelo futebol?
Sim. Sempre me deu o apoio minimamente necessário. Na minha zona, o apoio era mais emocional. Para ir aos treinos, era eu que procurava soluções porque era muito difícil alguém me levar. Agora as crianças vêm sempre com os pais, os pais vêm sempre aos jogos. Na minha altura, era muito complicado isso acontecer. Mas a minha família sempre me apoiou e nunca me cortou as pernas para poder jogar.
Tens algum sonho no futebol?
O meu maior sonho foi concretizado, que era jogar profissionalmente. Consegui esse objetivo. Agora é desfrutar ao máximo até as pernas não aguentarem mais.
O que mais gostas no futebol?
A bola. É ter bola. É jogar.



