Natural do Paraná, no Sul do Brasil, Malu está em Portugal há quase cinco anos. Começou a jogar futsal no seu país, o futebol profissional aconteceu quando tinha 19 anos. Tem agora 25 e continua a destacar-se na Liga BPI. É uma avançada com faro de golo, que sabe encontrar espaços, que dá luta, e que treina para marcar penáltis.
Mantém as expetativas altas, sempre com o foco de ganhar, de conseguir bons resultados para estar bem posicionada na tabela classificativa. Reage mal às derrotas, fica pensativa, a matutar no que podia ter feito de diferente. Trabalha todos os dias para dar o seu melhor, escuta os treinadores, dá a sua opinião quando considera que é importante. O mundo da bola é uma paixão de menina, o seu bolo de aniversário dos seis anos era todo ele dedicado ao futebol. Habituou-se à distância e a lidar com as saudades com o Atlântico pelo meio.
A melhor marcadora do Braga e, neste momento, da Liga BPI. És uma avançada com faro de golo.
Acho que sim, acho que posso me considerar assim.
Qual é a sensação de marcar um golo? É algo que se explica?
Por acaso, já me fizeram essa pergunta e foi muito difícil responder porque depende muito do momento do jogo. Às vezes, depende do jogo e é sempre um misto diferente de emoções. É uma emoção muito boa.
Como te defines como jogadora?
Jogadora com faro de golo, lutadora, e acho que sei encontrar bem os espaços.
O que mais aprecias no jogo jogado?
Belas jogadas, quando conseguimos manter a bola, conseguimos fazer as coisas bem, e podemos dar um bom espetáculo ao público.
Costumas marcar penáltis. Como te preparas? Fazes algum tipo de mentalização ou é bola para a frente?
Costumo sempre pensar, tenho sempre um lado seguro, gosto de estar atenta ao movimento da guarda-redes, mas também treino todas as semanas, por isso vou sempre adaptando a minha forma de bater.

Começaste a jogar no Brasil. Que idade tinhas?
Tinha 19 anos quando comecei a jogar futebol profissionalmente. Antes disso, jogava futsal.
E como surgiu essa paixão pelo mundo da bola?
Sempre fui apaixonada por bola, desde pequenita. Ainda há pouco tempo, estava a falar com a minha mãe, estava a rever umas fotos com ela, e tenho uma foto do meu aniversário dos seis anos e o bolo já era todo de futebol. Então, é uma paixão desde muito cedo.
Nos penáltis, gosto de estar atenta ao movimento da guarda-redes, também treino todas as semanas, por isso vou sempre adaptando a minha forma de bater.
Malu Schmidt
Vieste para Portugal de propósito para jogar futebol?
Sim. Vim para o Valadares.
Com experiência de cinco anos na Liga BPI, achas que o campeonato está mais competitivo?
Sim, desde que cheguei que teve um crescimento muito grande, tanto da Liga quanto da qualidade dos clubes e das condições.
Quais as expectativas que tens para esta época a jogar no Braga?
As expectativas são sempre altas. A gente quer sempre ganhar os jogos. Sabemos que tivemos resultados menos bons, mas queremos continuar a trabalhar, conseguir um equilíbrio, obter melhores resultados, e estar sempre no topo.
Qual é o teu maior sonho no futebol?
O meu maior sonho no futebol… Acho que é todos os dias conseguir fazer o meu trabalho da melhor forma. As lesões, neste caso, são muito recorrentes no mundo do futebol, espero nunca ter uma, e que possa ser feliz em todos os jogos e em todos os treinos. Enquanto isso acontecer, enquanto for feliz, vou jogar futebol.
Nunca tiveste uma lesão?
Grave, não.
É dos piores receios?
Exato.
Vês talento na jogadora portuguesa?
Vejo. Vejo muito talento nas atletas portuguesas. E acho que isso se nota também no nosso campeonato, a maioria das jogadoras portuguesas joga em Portugal e isso é notório.

Ouço sempre os treinadores, mas, às vezes, procuro dar a minha opinião sobre algum movimento ou sobre alguma coisa que poderia ser diferente.
Como analisas o crescimento e a evolução do futebol feminino em Portugal?
Os clubes cresceram com a Liga que também cresceu muito. A qualidade aumentou. E a aposta na formação tem muito mérito nesse crescimento.
Como é a tua relação com os treinadores? Ouves e tentas evoluir ou és um bocadinho crítica também?
Um pouco dos dois. Dou-me muito bem com os treinadores, ouço sempre, mas, às vezes, procuro dar a minha opinião sobre algum movimento ou sobre alguma coisa que poderia ser diferente.
Como reages a uma derrota?
Não reajo lá muito bem. Ninguém gosta de perder, claro. Costumo ficar mais na minha, mais pensativa, pensar no que podia ter feito diferente. Depois é absorver as coisas boas e focar-me no próximo objetivo.
E numa vitória?
É sempre muito bom. Já é diferente, já estou mais feliz, já estou contente. Fazemos sempre uma pequena festa no balneário.
Cinco anos fora do Brasil, é difícil lidar com a distância ou vais matando as saudades de alguma forma?
As saudades vão sempre existir, mas já estou um bocado mais acostumada a morar fora de casa. Quando saí de casa pela primeira vez tinha ainda 15 anos, já são 10 anos fora de casa. Então acho que já lido bem com isso.



