A “Primavera” como ponto de encontro na playlist da Juveforce

A playlist de balneário da Juveforce é um retrato do que se ouve antes de a equipa entrar em campo, reduz a ansiedade e aumenta a energia. E há um detalhe que salta à vista: existe uma música que funciona como ponto de encontro.

Vítor Carmo
Juveforce
Foto: Igor Martins/Magriça

“Primavera”, dos The Gift, aparece repetida nas escolhas. Em contexto de equipa, repetir uma faixa é sinal de que ela já passou a outro estatuto: não é só uma canção, é um ritual. Entra e toda a gente sabe o que fazer com ela. Canta-se, ri-se, marca-se o momento. É o tipo de som que transforma um balneário num lugar mais leve, mesmo quando lá fora há pressão.

A partir daí, a lista abre em duas direções. Uma delas é a da energia crua, com músicas feitas de “abertura”: “Not Gonna Die”, dos Skillet, e “Believer”, dos Imagine Dragons, são escolhas clássicas de pré-jogo, com batida constante e refrões que funcionam como dínamo.

A outra direção é a da afirmação e do quotidiano, muito mais próxima do que se ouve fora do futebol. O rap aparece com naturalidade e confiança: Plutonio (“Acordar”)Felipe Ret (“Corte Americano”) e Matuê ft. Veigh (“Imagina esse cenário”) entram como banda sonora, atitude e presença. É música que não precisa de grandes discursos: diz “estou aqui” e pronto.

A playlist também tem o seu lado de nostalgia e descompressão, porque nem tudo antes do jogo é “guerra”. “Verão Azul”, dos D’ZRT, é esse momento de familiaridade que desarma, aproxima e tira peso ao que vem a seguir. Há ainda espaço para outras cores: Soraia Ramos (“Nha Terra”) traz emoção e identidade lusófona; Post Malone (“Congratulations”) entra com a leveza típica de quem gosta de misturar estados de espírito.

E depois há uma escolha que dá profundidade ao conjunto: “MmmM”, do Milo J. A forma como foi justificada diz muito sobre o que a música pode ser no desporto: não apenas “hype”, mas um lugar onde se reconhece a exaustão e, mesmo assim, se decide continuar. Às vezes, a chama de uma equipa não está só na euforia – está nessa capacidade de aguentar mais um pouco, mesmo quando a cabeça pesa. Ter uma faixa assim no meio de tantas canções de impulso torna a playlist ainda mais humana.

No fim, o balneário da Juveforce soa a isso: rotina, energia e gente real. Um hino que une, músicas que motivam, e outras que lembram que a força também pode surgir da vulnerabilidade.

Ouve a playlist de balneário no Spotify da Magriça.