Nádia Bravo começou a jogar futebol aos cinco anos com rapazes. Via os treinos do irmão, um ano mais velho, brincava com a bola no pé, experimentou, detetaram-lhe o jeito, nunca mais largou. Aos 12 anos, estava numa equipa feminina. Jogou no Sporting e está no Braga há várias épocas. Garante que o plantel continua na luta pelos primeiros lugares da tabela para marcar presença nas competições europeias.
Em sua opinião, a Liga BPI está bastante competitiva esta época, os pontos que separam as equipas são muito curtos, tanto se sobe ou se desce muito rapidamente. Acredita que a seleção nacional A estará no Mundial de 2027, no Brasil. Vê talento e qualidade das mais novas às mais velhas jogadoras. Nádia, 21 anos, de Lisboa, tem sido chamada às seleções nacionais jovens. Vestir a camisola da equipa principal é um objetivo.
Jogas no meio-campo. É a tua posição natural?
Não, eu comecei a jogar a ponta de lança. Depois, na formação, joguei mais a extremo, ponta também. Só esta época é que descobri que tinha jeito e que queria ficar no meio-campo.
Porquê? É uma posição diferente das outras?
É diferente. Nós, no meio-campo, somos, digamos assim, o coração da equipa, ou seja, tanto jogamos e damos o jogo para a frente, como ajudamos a defender para trás. Nós é que pegamos na bola e decidimos se queremos atacar, se queremos pôr a bola um passo para trás ou um passo para a frente. Tanto posso marcar golo, como posso fazer assistências.
E como te defines como jogadora?
Pergunta difícil. Dentro de campo?
Sim, dentro de campo.
Sou uma jogadora muito agressiva, vou a todos os duelos. Acho que no 1 para 1 também sou forte.
Quais as expetativas aqui, no Braga, para esta época?
Neste momento, é continuarmos a traçar um bom caminho, viemos agora de 4 vitórias. Temos o objetivo, claramente, de chegar aos primeiros 3 lugares, para conseguirmos estar também nas competições europeias. É mantermos o que temos andado a fazer e acho que estamos num bom caminho.
Mentalmente, a equipa está focada nesse objetivo?
Sim, acho que conseguimos encontrar o caminho certo, acho que estamos todas focadas e unidas e isso é o mais importante.
As equipas estão todas muito fortes e todas a lutar para o mesmo que é estar nos primeiros lugares, ganhar a Liga BPI, e jogar nas competições europeias.
Nádia Bravo
Com menos equipas, a Liga BPI está mais competitiva esta época?
Acho que este ano está muito forte e, aliás, podemos ver na tabela classificativa que dos últimos lugares até os primeiros são pontos muito pequeninos que nos fazem ou subir até ao 1.º ou 3.º ou descer até o último. As equipas estão todas muito fortes e todas a lutar para o mesmo que é estar nos primeiros lugares, ganhar a Liga BPI, e competir nas competições europeias.

Como está a ser a experiência no Braga? Vens para um contexto destes, com estas condições, notas diferenças dos sítios por onde passaste?
Estou radiante. No Sporting, acho que não tínhamos tanto estas condições. Acho que o Braga é provavelmente dos clubes aqui em Portugal e na Europa que dá mais condições ao feminino. Temos um estádio só para nós, temos balneários só para nós, ou seja, uma infraestrutura só ligada ao feminino. Não há outro clube que nos dê estas capacidades.
Como é que analisas esta evolução, este crescimento, do futebol feminino em Portugal?
Há uma evolução muito grande. Partilho o balneário com a Morais, que já joga futebol há muito tempo, e ela diz, muitas vezes, que nós temos muita sorte do que temos agora porque elas tiveram de lutar muito para conseguirmos ter o que temos hoje, estas condições, este tipo de campos para jogar. Na altura, era campo pelado, etc., etc. O futebol feminino tem vindo a evoluir e acredito que vá evoluir ainda mais.
Tens também experiência nas seleções jovens. Estar nesse contexto é motivo de orgulho? O que significa para ti?
Qualquer jogadora que joga futebol, desde pequena, que o sonho é ter um contrato profissional e representar a seleção A, ao mais alto nível. Estou nas seleções jovens e o meu objetivo, claramente, é conseguir chegar à seleção A e, neste momento, ajudar a seleção, seja pelas Sub-23 ou onde for chamada. É um sonho para todas representar o nosso país.
O que é que o futebol te tem dado?
Felicidade, amizades, crescimento enquanto pessoa e enquanto profissional, suporte físico e mental. Tem também um lado que me faz crescer. Sou de Lisboa, moro cá, estou sozinha, sem os meus pais, sem os meus irmãos. Então acaba por me ajudar a perceber que consigo estar sozinha. Aqui dão-nos muito apoio, mas sinto falta da minha família, de a ter comigo, e então, às vezes, acaba por ser complicado, mas consigo perceber que consigo fazer isto mesmo com eles longe.
Qualquer jogadora que joga futebol, desde pequena, que o sonho é ter um contrato profissional e representar a seleção A, ao mais alto nível.
Só jogas futebol ou fazes outra coisa?
Só jogo futebol.
Pensas estudar?
Quero tirar um curso relacionado com treino, em princípio, treinadora, preparadora física. Tirei o curso de profissional em Desporto. E, neste momento, estou a pensar, no próximo ano, tirar um curso relacionado com Desporto. Ainda estou em fase de construção.
Começaste a jogar com que idade?
Comecei a jogar com 5.
Com rapazes?
Sim.
Como é que nasce esta paixão pelo futebol?
Tenho um irmão um ano mais velho do que eu, com 4 começou a jogar e eu ia ver os treinos. Enquanto ele estava a treinar, eu pegava na bola e ficava ali de lado, sozinha, a brincar. Até que ele me disse, os meus pais também, porque é que não ia com ele e experimentava. Então lá fomos os dois para um treino, os místeres gostaram de mim, os meus pais inscreveram-me e fiquei a treinar com o meu irmão. E foi daí que surgiu.
E até que idade jogaste com rapazes?
Até aos 12.
O jogo com rapazes deu-te um traquejo especial?
Sim, é diferente. A agressividade. Eles não pensam se é menina, se é menino, é entrar com tudo.
A seleção nacional estará no próximo Mundial?
Acho que sim.
Há talento e qualidade para isso?
Há bastante talento, tanto das que já lá estão, como das que estão a trabalhar para conseguirem lá chegar, das mais novas às mais velhas. Portanto, acho que temos um bom grupo nacional para conseguirem.



